É da Perdigão...manda
  Por R$ 42 milhões a Perdigão (Agroindustrial S.A.) comprou 51% das ações da Batavia. Este o valor pago pelo frigorífico. Em contrato a parte, os estoques da indústria foram adquiridos por R$ 17 milhões. A Perdigão pretende manter as duas marcas de produtos nos supermercados.
  Para o mercado, a transação não constituiu nenhuma novidade. Em dezembro um alto funcionário da própria Central de Laticínios, a CCLPL previu que se o negócio não emplacasse no ano, não passaria de janeiro.
  Também não é novidade que a Perdigão pretende comprar o restante das ações, uma hopótese que o presidente da Perdigão, Nildemar Sacches, não descarta, embora não confirme. Ele agora está preocupado em fazer investimentos para alavancagem das marcas. Em tecnologia e programas de qualidade, a Perdigão vai investir (este ano) cerca de US$ 10 milhões na fábrica de Carambei.
  Mas nem de longe a pauta de investimentos no Paraná se compara ao programa de investimento no Brasil-Central. A empresa irá investir R$ 180 milhões este ano naquela região. Cerca de R$ 140 milhões serão absorvidos pela unidade de Rio Verde que começa a operar em junho próximo.
  Na coletiva de ontem, em Curitiba, a repórter Carmem Murara apurou que todos os itens da marca serão mantidos. Mais do que manter - por enquanto - todos os produtos, as empresas vão atuar também em outras áreas. Atuação será independente.
  A transação ocorre menos de seis meses depois que a Batavia estufou o peito e anunciou sua inserção no mercado de aves especiais (peru) de Natal. Não se intimou, portanto, com a forte presença neste segmento de mercado, de nomes fortes como a Sadia e a própria perdigão.
  Há quem diga até que foi a produção de perus é que atraiu a Perdigão para fechar o negócio. O mercado de aves, como perus e chester, de final de ano é portentoso. Quem ingressa nele pode ter projeção imediata e abocanhar a fatia do concorrente.
  Oficialmente, a razão para a incorporação - para tantas incorporações e fusões - tem argumento num fato real: o estreitamento das margens de lucro, além de uma concorrência acirrada e cruel no dizer de um industrial do setor. Com margens compridas, só produzindo em grande escala e com vigilante controle dos custos de produção.


LEITURA DINÂMICA
-Há quem garanta que até o final do ano haverá novas transferências de ações ou compras de empresas menores - do mesmo setor - por grupos mais sólidos, com maior presença no mercado.
-A concentração do setor é decorrência de um ajuste nas margem de lucros e a necessidade de aporte de recursos para investimentos tecnológicos exigidos pela concorrência global.
-Quando os custos de produção aumentam - como agora, com a valorização do milho - e o consumo retrai, as dificuldades ficam mais transparentes.
-Porém, consultores de empresas garantem que a indústria frigorífica de vanguarda, como a do frango, não deve passar pelo mesmo caminho do varejo.



DROPS
Recoop As cooperativas resolveram adotar uma postura mais firme com relação ao Programa de Revitalização das Cooperativas de Produção Agropecuária (Recoop). Elas querem o repasse dos recursos anunciados pelo governo.
Recoop 2 Hoje, centrais de oito estados estarão reunidas em Porto Alegre, com as bancadas de cada estado para uma nova ofensiva em cima do governo. É uma forma de cobrar melhor atuação dos parlamentares ‘‘aliados’’.
Novidade na 2ª Na segunda-feira o governo deve reeditar a Medida Provisória que regula o Recoop. A medida pode instituir a partilha de riscos entre Tesouro a bancos para garantir a liberação de recursos novos.
Uma fortuna O Recoop prevê um aporte de quase R$ 3 bilhões para o saneamento e modernização do sistema cooperativista. Deste total, R$ 2,1 bilhões são para rolagem de dívidas com bancos.
Fortuna Inclui: R$ 900 milhões em dinheiro novo para capital de giro. Os R$ 900 milhões restantes são destinados à securitização de financiamentos agrícolas.

mockup