Semana de expectativa
A semana promete algumas novidades na área de comercialização:
A) Conab deve programar os leilões de arroz prometidos para fevereiro. Há interesse por parte dos atacadistas em torno desses leilões. Na semana passada, a entrada de arroz do Rio Grande do Sul nas praças do Paraná foi menor, por conta da expectativa do leilão. Estes leilões, contudo, não exercem muita influência sobre o mercado. São oferta de arroz em casca para a indústria de beneficiamento em troca de arroz beneficiado (ou outro produto vegetal) de valor equivalente para os programas de distribuição de cestas básicas do governo, destinados ao Nordeste e Minas Gerais.
B) A indústria de torrefação de café deve pressionar para que o governo antecipe os leilões de café, reduzindo os intervalos entre um pregão e outro. O último leilão foi dia 27 de janeiro. O Sindicato da indústria no Estado de São Paulo já falou que o setor não aguenta até o dia 27 de fevereiro sob pena dos preços do tipo 8 aumentar muito.
C) O mercado de milho também vive a expectativa do leilão no sistema Conab/Banco do Brasil - ou vendas de balcão. Há pressão - dos granjeiros, indústria de ração e suinocultores - para que isto ocorra visando conter novas altas que vêm por aí, após divulgação do estrago causados pela seca no Rio Grande do Sul e Paraná.
D) Outra expectativa para a semana não está nos leilões mas no mercado da soja que possivelmente enfrente novo período de calmaria, depois de uma semana ativa no mercado internacional na semana passada, quando a Bolsa de Chicago registrou forte volume de contratos negociados para março, abril e maio. Aconteceu com todo o complexo soja. O óleo, para maio deve alta de 4% (US$ 0,1745) ou 17,45 centavos de dólar/libra-peso. E a soja em grão, mesmo caindo na sexta-feira, havia fechado em alta de 2,5% na média da semana chegando a US$ 195/tonelada. No mês de janeiro, as variações do complexo soja medidas pela Bolsa de Chigado, acumulam alta de quase 14%.
Segundo operadores de mercado das cooperativas do Paraná, não há nada relacionado com o mercado da soja que justifique grandes variações neste início de fevereiro. Nem mesmo estamos às vésperas de um novo relatório do USDA sobre comportamento de safra ou informações sobre seca no Brasil. O que está ocorrendo são especulações inerentes ao mercado - que pode até cair para realização de lucros dos fundos de commodities. Esses fundos, na semana passada, saíram do mercado acionário para o mercado de commodities agrícolas.
Isto acontece toda vez que os Estados Unidos resolvem mexer nas taxas básicas de juros. Mexer, no caso é aumentar as taxas. Toda vez que o Federal Reserve, o Banco Central norte-americano, resolve fazer isto, os fundos recuam e migram para outro tipo de investimentos - ou de especulação. É o dinheiro da especulação financeira que sai do mercado financeiro para se abrigar - temporariamente - em outro mercado, no caso o mercado de commodities.



LEITURA DINÂMICA
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Não se pode subestimar, contudo, que as condições climáticas no Brasil e Argentina, principalmente no Brasil, tenham exercido certa influência na Bolsa de Chicago para todo o complexo soja.
-E qual a postura dos agentes do agronegócio brasileiro diante desse comportamento do mercado global?. O que fazer? Nada. No caso da soja o mercado se acomoda normalmente até quarta-feira.
-Claro que a médio prazo - isto é, daqui até março quando estão vencendo os contratos de venda futura -, é preciso acompanhar de perto o noticiário porque o mercado já está ganhando uma forma definida.
-Olhos atentos, principalmente para os relatórios mensais do USDA e as notícias sobre perdas (reais) da soja.

- - - DROPS
Estoques O abastecimento do milho está um caos e o preço se manterá em alta. Mas a situação do café não é nada confortável. Os estoques do governo para socorrer as indústrias são os mais baixos em 8 anos.
Estoques 2 Os estoques, em 1995/96, medidos pelo Ministério da Indústria e Comércio eram de 17,4 milhões de sacas. Hoje, medidos pelo Ministério da Agricultura, não passam de 7,3 a 7,5 milhões.
Consumo O motivo é bom: houve um aumento no consumo interno e nas exportações.
Estimativa Um cálculo feito pela Abic em dezembro do ano passado, quando a Embrapa divulgou sua previsão de safra, apontava números desfavoráveis à indústria.
Estimativa 2 Para a safra atual, de 29 milhões de sacas projetava-se um déficit de 2,8 milhões a 3 milhões de sacas. Mas a previsão da Embrapa foi contestada e o mercado passou a trabalhar com previsão mais baixa.
Tipo 8 Se está havendo uma melhora generalizada da qualidade do café (refletindo nos tipos) como foi colocado ontem na última sexta-feira no encontro de Belo Horizonte (‘‘Cafés do Brasil’’) é de se supor que vai sobrar menor quantidade de cafés tipo 8, o tipo inferior, que a indústria usa para abastecer o mercado interno.

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