Oswaldo Petrin
Ano de bons preços
A importação de milho não vai segurar o preço do produto no segundo semestre, mesmo com as boas condições da safrinha cuja área pode crescer diante das boas perspectivas de preços. Várias empresas de consultoria estão apontando o milho como a opção mais rentável este ano. E apostam numa administração acertada dos estoques do governo que deve intervir no mercado realmente como agente regulador. Nos velhos tempos, em anos que o governo interveio no mercado, tanto na época da antiga CFP como na era da Conab, houve problema. É que os organimos eram muito lerdos e em vez de enxugar o mercado, acabava por complicar. O governo deve intervir este ano - sugerem os analistas - mas para administrar equilíbrios. Será desastroso se o governo resolver baratear preços para segurar inflação.
Quando ao mercado se manterá sempre firme: os preços cedem num determinando momento diante de especulações e notícias sobre importação, mas a lei da oferta e procura acaba falando mais alto. Teremos um ano inteiro de mercado comprador, segundo especialistas em mercado de commodities agrícolas.
E a soja também vai passar por uma fase de especulação em favor de alta de preços. É que a safra brasileira será menor. Dados da Embrapa Soja - Centro Nacional da Soja - apontam redução na colheita de soja. Devido à estiagem, a produção brasileira de soja terá queda 2,5%, quando comparada à previsões anteriores.
A produção no Rio Grande do Sul foi a mais atingida (-10%). A expectativa é que a produção nos 13 milhões de ha brasileiros caia de 30,8 milhões para 30 milhões de t.
O mesmo aconteceu nos EUA, onde a expectativa inicial era produzir 78 milhões de toneladas de soja na safra 99, mas foram produzidos 72,7 milhões de t. Por isso, o preço da soja está subindo.
Outro fator que está aquecendo o mercado é a melhora da demanda mundial. O mercado andou em baixa por causa da queda das bolsas asiáticas, que já mostram sinais de recuperação.
Recentemente o preço da tonelada subiu de U$ 165/t para U$ 193/t.Aliás esse último é o preço mínimo americano, o que está evitando que o governo dos EUA invista em subsídios.
Acredito que o preço da soja vá subir ainda mais, variando entre US$ 200/t ou US$ 220/t, o que é o preço histórico da soja, prevê o pesquisador da Embrapa Soja, Antonio Carlos Roessing, especialista em economia rural. As informações sobre as perdas na safra de soja, em âmbito nacional, foram divulgadas ontem pela assessoria da Embrapa Soja, de Londrina.
LEITURA DINÂMICA
-A Rhodia vai aumentar em 46% os seus investimentos no Brasil. Entre os principais projetos da empresa, uma das maiores indústrias químicas do mundo, está a criação de uma companhia ecológica.
-Segundo o diretor-geral da empresa para a América Latina, José Carlos
Grubisich, a Rhodia, que teve um crescimento de 86% em 99, vai investir R$ 150 milhões neste ano, incentivada pelas boas perspectivas econômicas.
-Entre os projetos da Rhodia está o lançamento de uma empresa de gestão ambiental. A Teris do Brasil, uma associação com a VegaSopave e a Teris da França, será uma companhia especializada no tratamento de resíduos tóxicos.
-Segundo Grubisich, à Agência Folha, ontem, a fábrica faz parte da atuação da Rhodia em relação à segurança ambiental e será instalada no país até o final do primeiro semestre deste ano.
DROPS
Trigo Nasce uma polêmica entre as indústrias moageiras de trigo e o Banco Central. BC quer que importadores de trigo da Argentina recolham o valor da carta de crédito no momento do registro no Banco, sem regalias nos prazos.
Soja/Japão As importações de soja do Japão cresceram 2,8% em 99 sobre o ano anterior: 4,88 milhões de t. Só em dezembro, as importações cresceram 10,9% sobre o mesmo mês de 98. Os dados são da Brandalizze Consultoria.
Soja/Chicago O preço internacional da soja subiu 2,68% ontem na Bolsa de Chicago. O primeiro contrato foi negociado a 527,00 centavos de dólar por bushel. No acumulado dos últimos 30 dias, o aumento é de 14,94%.
Boi SP O valor à vista em reais do indicador do boi gordo Esalq/BM&F ficou ontem em R$ 41,15/arroba (-0,24%). Em dólar, o preço caiu 0,39%, para US$ 23,11/arroba. A prazo, a cotação ficou em R$ 41,70/arroba (-0,45%). Veja nos quadros o preço no Paraná.
Trigo Nasce uma polêmica entre as indústrias moageiras de trigo e o Banco Central. BC quer que importadores de trigo da Argentina recolham o valor da carta de crédito no momento do registro no Banco, sem regalias nos prazos.





