Oswaldo Petrin
Socorro ao feijão
O ministro Pratini determinou ontem a compra direta pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) de feijão preto no Paraná e no Rio Grande do Sul. Ele também autorizou a implementação das propostas apresentadas pelos governos dos dois Estados para a recuperação da triticultura.
As duas medidas atendem a reivindicação feitas pelos governos e lideranças políticas e da agropecuária dos dois Estados. O secretário da Agricultura em exercício do Paraná, Norberto Ortigara, que teve audiência na tarde desta quarta-feira com o ministro, informou que Pratini de Moraes determinou imediato cumprimento das propostas apresentadas.
Acompanhado de lideranças da agropecuária paranaense, como a direção da Federação da Agricultura do Paraná (Faep) e da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), além de deputados da bancada ruralista, Ortigara reforçou o pedido, já encaminhado pelo governador Jaime Lerner, que sugere a liberação de R$ 23,5 milhões para a aquisição de 50 mil toneladas de feijão preto, o que equivale a 20% da safra estadual. Com a compra deste volume de produção, a intenção é elevar o preço de mercado que hoje está muito baixo, na faixa de R$ 20 a R$ 22 a saca, enquanto o preço mínimo fixado para a safra 99/2000 é de R$ 28.
Trigo Em relação ao trigo, Pratini de Moraes disse concordar com o estabelecimento de uma política que reduza a dependência externa, que hoje está na proporção de 65% da demanda nacional. O ministro garantiu que está decidido a atuar de forma firme para aumentar a produção nacional e reduzir esta dependência, informou Ortigara ao sair da audiência, em Brasília. Segundo ele, o ministro afirmou que não se pode mais conviver com a dependência externa que rouba divisas do País.
De acordo com o secretário em exercício, o ministro garantiu que este ano haverá dinheiro para o custeio do trigo e que o produto também terá liquidez para viabilizar a comercialização, assegurando renda ao produtor. De acordo com o ministro, o agricultor que plantou precisa ter condições de vender sua safra.
Pratini autorizou os representantes dos governos do Paraná e Rio Grande do Sul e lideranças dos dois Estados a elaborarem em conjunto com o Ministério da Agricultura a política para a próxima safra de trigo. (Fonte: Assessoria da Seab).
LEITURA DINÂMICA
-Salvo engano, o ministro autorizou a compra de feijão preto. Não está claro que a Conab vai enxugar o mercado de feijão de cor, carioquinha, por exemplo, que enfrenta problemas idênticos.
-Pode ser um erro de diagnóstico achar que as demais regiões não tenham iguais problemas. Mas é melhor aguardar as normas e início das operações.
-Com relação ao trigo, a boa vontade do ministro está explícita. Mas o plano parece tímido para quem depende de volume de importação tão elevado.
-O grande avanço em favor do trigo pode vir via Abitrigo, agora mais simpática aos paraenses e gaúchos.
DROPS
Perdas/milho O relatório do Deral mostra que a seca foi implacável com o Paraná. Principalmente no caso do milho e soja nas regiões Norte, Noroeste e Oeste. Aliás, com exceção do Sul, todo o Estado sofreu muito.
Compare A quebra de 14% no milho em todo o Estado, embora significativa, não assusta. No entanto, a quebra por região é amarga. Norte do Paraná perde 51% na região de Londrina e 40% nas regiões de Cornélio Procópio e Jacarezinho.
Soja No caso da soja, as perdas em todo o Estado somam uma média de 8%. Mas no Norte e Norte Pioneiro foram altas: Os municípios do Núcleo Regional de Jacarezinho tiveram perda de 25%, Cornélio Procópio, 30% e Londrina 30%.
Pontos fracos A estiagem afetou culturas nos seus diversos estágios: atrasou a semeadura, afetou a germinação, a floração e formação de grãos. Isto em todos os produtos. Inclusive o café.
Estavam certos os nossos leitores que desde dezembro, quando o governo anunciu sua previsão de (grande) safra, pressionaram para que a verdade viesse à tona. Com exceção do Sul, para as demais regiões o ano agrícola vai fechar no vermelho.





