‘‘Exportar é que importa’’
Tudo bem que o ministro Pratini de Moraes tenha exagerado no otimismo ao prever, ontem, que o Brasil será o maior exportador de carnes do mundo (maatéria em destaque neste jornal). Afinal, Pratini falou no seu Estado e precisava encher a gaita dos gaúchos.
Só que ninguém pode duvidar do potencial competitivo da nossa carne, uma vez reduzido o Custo Brasil, conforme ressalva um consultor de mercado. Quanto à declaração e o reconhecimento de que o Brasil será livre da aftosa (‘‘com vacinação’’ atualmente e ‘‘sem vacinação’’ num futuro próximo), ela é o maior antídoto contra as barreiras alfandegárias que vêm por aí disfarçadas de ‘‘barreiras sanitárias’’.
Pratini previu ontem que o Brasil será o maior exportador de carnes do mundo em cinco anos. Para isso, contribuirá a confirmação do Sul do País como zona livre de febre aftosa (sem vacina), o que deverá ocorrer até maio, segundo ele. Assim, seriam retomados os negócios com carne bovina para grandes mercados.
Pratini acha que até o fim deste ano ‘‘voltaremos’’ a exportar para os Estados Unidos. Uma assessor garante que este ‘‘voltaremos’’ não se refere apenas ao Rio Grande do Sul. Haverá um crescimento das exportações de carnes em geral na ordem de 30% a 35% ainda neste ano’’, prognosticou.
Enquanto isso, o Brasil se prepara para uma nova ofensiva junto ao governo dos Estados Unidos para tentar reverter a política restritiva norte-americana contra as importações de produtos brasileiros, especialmente aço, calçados e têxteis.
O governo brasileiro vai aproveitar a presença no país de uma delegação
comercial norte-americana, chefiada pelo secretário de Comércio, William Daley, que chega no dia 14 de fevereiro, para reabrir as discussões. O ministro das Relações Exteriores, Luiz Felipe Lampreia, disse à Agência Folha que as medidas antidumping (contra práticas desleais de comércio) utilizadas
pelos Estados Unidos contra o aço do Brasil se baseiam, principalmente, no fato de as siderúrgicas brasileiras terem recebido dinheiro público quando eram estatais.
Esses supostos subsídios já teriam sido anulados na hora que os novos acionistas pagaram para comprar as siderúrgicas. De acordo com o ministro, as exportações brasileiras de produtos siderúrgicos, como laminados a quente e a frio, para os Estados Unidos estão virtualmente paralisadas pelas restrições
Lampreia quer que a comunidade internacional crie mecanismos que permitam ao país punido com a adoção ‘‘excessiva de medidas anti-dumping tenha a
possibilidade real de recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC). Hoje, esse tipo de recurso é inútil.



LEITURA DINÂMICA
-Sem os mesmos problemas alfandegários que o Brasil, a Argentina, porém, exportou menos ano passado: De janeiro a novembro as exportações argentinas atingiram 39,405 milhões de toneladas, 9,4% abaixo das 43 508 milhões de t em 98.
-A Cargill aumentou em 3% suas exportações e manteve sua liderança no setor, com embarque de 6 389 milhões de t, ampliando sua participação para 16,2% em 99.
-Em segundo lugar se destaca a Dreyfus, que aumentou suas exportações em 3,5%, passando de 3,627 milhões de t para 3,749 milhões nos primeiro onze meses de 99.
-As cinco primeiras (Cargill, Dreyfus, La Plata Cereal; Productos Sudamericanos e Aceitera General Deheza) somaram 20,162 milhões de t, entre grãos, óleos e derivados (51% das exportações argentinas).

DROPS
Boi SP
O valor à vista em reais do indicador do boi gordo Esalq/BM&F ficou em R$ 41,80/arroba (+0,07%). Em dólar, o preço caiu 0,04% (US$ 23,45/arroba). A prazo, a cotação ficou em R$ 42,25/arroba (+0,19%).
Café Comentário da Bourbon Corretora de Café, sobre o mercado ontem: ‘‘Expectativa de quedas de preço ainda maiores não se concretizou. Mercado sinaliza um suporte nos 110 cents, patamar interessante para compra por parte das torrefações internacionais que dão suporte ao mercado’’.
Soja-PR O indicador de Preços da Soja ficou ontem em R$ 20,31/saca (+ 0,05%). Em dólar, US$ 11,45/saca (+0,35%). O Indicador é calculado pela Esalq com base nos preços praticados no disponível em cinco praças do Paraná.

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