Baixo impacto
A semana começa com novidades, algumas delas podem criar impacto no mercado, mas por pouco tempo. Outras, nem tanto, e até podem ser consideradas de rotina neste época do ano:
A) Exportadores de café que têm contrato a cobrir em fevereiro devem entrar comprando nos próximos dias, o que aumenta as chances de aquecimento do mercado, depois de uma semana inteira de apatia, em que os preços até cederam. Aconteceu com os cafés finos do Paraná.
B) Contrapondo a tímida tendência de alta, o leilão de café no próximo dia 27, quarta-feira com certeza vai se transformar num aferidor negativo de preços. Serão ofertadas 150 mil sacas, das quais mais da metade estão estocadas no Paraná. A influência dessa intervenção do governo já se manifesta a partir de amanhã, véspera do leilão, que será feito pelo sistema eletrônico do Banco do Brasil.
C) Hoje, um fato histórico para o comércio, no âmbito mundial: o Brasil vai se aliar aos EUA para acelerar o processo de inclusão da China na Organização Mundial do Comércio (OMC). Essas negociações, que se estendem há 13 anos, entraram neste ano em sua etapa final.
D) Também esta semana, o ministro da Agricultura, Pratini de Moraes, deve antecipar linhas gerais do programa do governo para incentivar o plantio do trigo. O plano completo ainda não está pronto, segundo fonte do Ministério, na sexta-feira.
E) A Conab deve autorizar novas importações de milho dos Estados Unidos, mas nada que crie impacto no mercado. E os cerealistas do Paraná, concentrados nas praças de Apucarana, Cascavel, Curitiba, Maringá e Ponta Grossa, devem aumentar a compra de arroz do Uruguai, em detrimento do arroz gaúcho, que perde a hegemonia - não para o produto uruguaio, mas para o sequeiro do Centro-Oeste.
Ainda sobre o arroz: o mercado já vive a expectativa dos leilões anunciados dias atrás pela Conab. O mercado vem denominando de ‘‘leilões sociais’’ porque a compra se destina ao Programa Comunidade Solidária. Consiste em ofertar arroz em casca às indústrias de beneficiamento, em troca de arroz beneficiado que vai compor as cestas básicas.
Devem sair amanhã medidas complementares às anunciadas pelo governo na semana passada dentro do pacote agrícola, cuja preocupação maior foi enxugar o mercado de máquinas agrícolas; recuperar a participação do Banco do Brasil na comercialização e garantir a inserção da BM&F no mercado de commodities. Medidas que indiretamente podem até ajudar a agricultura, como se pode ver ao longo da semana passada.
O que deve ser anunciado - é importante ficar de olho - são as normas que vão operacionalizar as Cádulas de Produto Rural (CPR).



LEITURA DINÂMICA

-O Brasil procura esta semana uma saída ‘‘mais suave’’ para a ‘‘guerra do frango’’ com a Argnetina, sem criar suscetibilidade aos demais parceiros, segundo a Abef (que representa as empresas exportadoras).
-É que o Mercosul foi o segundo maior importador de frangos inteiros do Brasil no ano passado. Não dá para subestimar. Aliás as vendas para o Mercosul está em queda desde 1998.
-O Oriente Médio foi o principal comprador de frango inteiro do Brasil, com a importação de 315.390 toneladas, 39% superior ao registrado em 1998.
-As importações do Oriente Médio representam 50% do total exportado de frangos inteiros e 27% do total geral exportado pelo Brasil.
-Em dezembro de 1999, o preço médio da tonelada da carne de frango ficou em US$ 971,00, 23,55% inferior ao preço registrado em dezembro de 1998, de US$ 1.271,00.

DROPS
Baixa Os preços do boi gordo podem recuperar hoje nos mercados paranaense e paulista. Embora o Paraná tenha pouca oferta, como já ficou comprovado, o mercado reflete o ‘‘pequeno aumento’’ na ofertas do boi gordo no Estado de São Paulo, segundo o Sindicato da Pecuária de corte.
Termômetro Os preços recuaram na sexta-feira em algumas cidades paulistas: Presidente Prudente, Araçatuba e Barretos, justamente as praças que ajudam a formar o termômetro do mercado nos outros Estados.
Consumo Além do aumento da oferta há outra variável exercendo influência no mercado. É mais grave, aliás do que o aumento da oferta. É que os frigoríficos estão com dificuldade de colocar a carne no mercado.
Frango O atacado não consegue transferir a pequena alta da semana passada para o varejo. De novo foi constatado (pelo sindicato do comércio varejista de carne do Estado de São Paulo) uma fuga do consumo para a carne de pequenos animais, principalmente frango.
Recesso Alguns frigoríficos de São Paulo e Mato Grosso do Sul suspenderam suas atividades na semana passada.

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