Dia de pacote
As agências de notícia poderiam antecipar ontem as medidas que FHC vai anunciar hoje para a agricultura. Mas retardaram a distribuição. Ou simplesmente não tinham a informação até às 21 horas de ontem.
De qualquer forma, se o governo realmente está a fim de incentivar o setor vai ter que acenar com crédito em condições diferenciadas. do Contrário, poucos vão se convencer. Se quiser incentivar a produção que trate de injetar dinheiro, de preferência na comercialização.
Gostaria muito de estar errado. Mas as medidas que FHC vai anunciar hoje para a agricultura, podem ser mais um fiasco. Não se questiona se é ou não época e anunciar plano agrícola. Antes tarde ou extemporâneo do que nunca.
O que se questiona é como será transferido o recurso. Sim, porque a agricultura hoje precisa de capital, para investir ou para giro que lhe confira liquidez. Do que adiantam preços altos se a maioria já vendeu.
A julgar pelo pouco que falou no seu programa de rádio, que as agências de notícia retransmitiram ontem, realmente não há muito conteúdo.
Diz o presidente: ‘‘A pesquisa vai lançar 30 novas variedades e cinco modelos de máquinas, criadas por seus técnicos. A Embrapa vai aumentar o apoio ao agricultor, inclusive com modernas técnicas de combate e erradicação de pragas’’.
Isto não é nada. Primeiro porque a Embrapa vive anunciando tantas coisas que nem são adotadas. A adoção está ligada a crédito. O resto é papo furado.
De qualquer foram, o presidente Fernando Henrique Cardoso lança hoje um pacote de medidas para incentivar o setor agrícola. O governo pretende facilitar o acesso ao crédito para os pequenos agricultores e incentivar o investimento estrangeiro no setor
agrícola.
O presidente afirmou que o governo vai facilitar o acesso ao crédito. ‘‘Os pequenos agricultores não precisarão mais apresentar aquela papelada toda no banco para provar que são bons pagadores. Vamos dispensar a apresentação de certidões negativas do Cadin, o cadastro de inadimplentes, para quem está quites com o fisco. É preciso confiar mais nas pessoas’’, completou.
Mas antes de mais nada é preciso que haja o recurso. O governo vive anunciando coisas que acabam não acontecendo. Melhor exemplo foi o do ano passado. Prometeu crédito e deixou todo mundo na mão.



LEITURA DINÂMICA
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A Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) apresentou ontem ao CADE uma representação contra a Fiat, Ford, General Motors e Volkswagen por ‘‘condutas anticoncorrenciais’’.
-A federação acusa as montadoras de condicionar a venda de determinados veículos à aquisição de outros carros nos quais o concessionário não têm interesse.
-A prática caracteriza venda casada, que é condenada pela Lei Antitruste.
-A Fenabrave também reclama da obrigação, imposta pelos contratos, de que um percentual mínimo das peças e dos componentes adquiridos pelas
concessionárias deve ser comprado das montadoras.

DROPS
Boi SP O valor à vista em reais do indicador do boi gordo Esalq/BM&F ficou ontem em R$ 41,45/arroba (-0,12%). Em dólar, o preço caiu 0,04%, para US$ 23 12/arroba. A prazo, a cotação ficou em R$ 42,11/arroba (-0,02%).
Reação Especialistas estão prevendo nova reação nos preços na semana que vem quando os frigoríficos volta a fazer escala. BM&F está indicando R$ 44,00 para junho.
Café O valor à vista em reais do indicador do café Esalq/BM&F teve alta de 1,04% (R$ 224,64). Em dólar, subiu 1,12% (US$ 125,29/saca). A prazo, R$ 226,49/saca (+1,04%). Obs: cafés finos da Mogiana.
Café 2 Comentário da Bourbon Corretora: ‘‘Mercado trabalhou pressionado na abertura esperando divulgação dos estoques americanos pela Green Coffee Association. Dólar mais fraco não ajudou recuperação das cotações no mercado interno.

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