Fusões pela sobrevivência
Quem ouviu, antes da virada do ano, o presidente da Associação Brasileira de Brinquedos (Abrinq), fazer previsões de vendas e traçar metas otimistas para 2000, não poderia imaginar que a indústria de brinquedos seria mais um setor a buscar parcerias e fusões, como forma de driblar a crise.
A economia está se tornando cada vez mais fechada, oligopolizada. Isto não é bom. A concentração do varejo através de poucas grandes redes de supermercados afetou desde o setor atacadista e distribuidor até os hortigranjeiros.
O próximo será a carne bovina, segundo analistas. No Estado de Mato Grosso devem desaparecer numerosas pequenas indústrias que não vão suportar o sistema de desossa e embalagem, depois que o Estado ficou fora da região ‘‘livre de aftosa’’.
A tendência de aquisições e fusões já está se concretizando entre empresas de brinquedos, alimentos e eletroeletrônicos.
Voltando ao segmento de brinquedos, confecções e calçados: eles são os setores mais afetados pela crise cambial, que completa um ano nesta semana, preparam-se para dar uma reviravolta em 2000. Depois de ver os negócios minguarem, fabricantes de roupas, calçados, brinquedos, alimentos e eletroeletrônicos planejam fusões, parcerias e exportar mais.
A dificuldade em manter as margens de lucro em um mercado mais competitivo está obrigando essas empresas, antes rivais, a se unirem. Segundo a Abrinq, associação que representa os fabricantes de brinquedos, atualmente um grupo formado por dez empresas está negociando um amplo programa de incorporações.
O que explica essa mudança de comportamento das empresas é a perda de
força de negociação com grandes redes do varejo, concentradas cada vez
mais por conta de aquisições.
‘‘Quem define as condições e prazos de pagamento são os hipermercados e
grandes redes’’, diz Aires Fernandes, diretor de marketing da Estrela, em entrevista aos repórteres Julio Wiziack e Fátima Fernandes, da Agência Folha.
O mesmo problema está sendo enfrentado pela indústria alimentícia. Para
tentar se defender da pressão do varejo, pequenas e médias indústrias
estão se organizando em associações. Já existe uma em Curitiba, no Paraná.
Para Denis Ribeiro, economista da Abia, o setor está repassando apenas
metade do aumento de custos para os preços. Com isso, houve redução de
até 40% nas margens de lucro.



LEITURA DINÂMICA
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As empresas em geral concordam com a retomada do crescimento prevista pelos técnicos do governo. A previsão já está repercutindo entre os fabricantes de
bens de capital.
-As empresas prevêem que o país vai comprar US$ 17 bilhões em máquinas este ano, 6% a mais que em 99, quando o setor amargou queda de 15% no consumo interno de máquinas.
-A Confederação Nacional da Indústria da Indústria (CNI) já prevê a
retomada dos investimentos neste ano por conta da mudança da política
cambial.
A desvalorização do Real reduziu o preço do produto nacional no exterior e deve impulsionar as exportações, segundo Flávio Castelo Branco, coordenador da unidade de política econômica da CNI (AF).

DROPS
Banda
O governo não vai defender uma taxa de câmbio específica ou um intervalo para a cotação do real em relação ao dólar. É o que garante o ministro Pedro Malan, para este 2000. Ele, portanto, não defende a banda cambial.
Euro Segundo Malan, em 18 meses, o iene passou de 149 por dólar a 101 por dólar - é uma variação expressiva. O euro chegou a 1,19 por dólar e agora vai chegar à paridade, o que também é uma variação expressiva.
Volátil Flutuações da taxa de câmbio ocorrem também em outros países que adotam o regime de câmbio flutuante. O que reduz a volatilidade do câmbio é a percepção de que o País está cumprindo seus objetivos fiscais, está avançando em direção à mudança do regime fiscal.
Para o ministro isto afeta quem exporta. As commodities agrícolas, por exemplo, prejudicadas com um regime demasiado flexível, têm tudo para planejar com segurança dentro da atual administração do câmbio.

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