Oswaldo Petrin
O frango fica mais esperto
Os três Estados do Sul querem formular uma política mais homogênea na avicultura de corte, principalmente no aspecto de bioseguridade. O Sul representa 70% da produção nacional de carne de frango. Só o Paraná abate entre 45 milhões e 50 milhões de frangos/mês, número que o setor não pretende aumentar, este ano, a não ser através da entrada de novos frigoríficos no Sudoeste. Cada indústria se manterá no mesmo patamar de 1999. É hora de cautela.
A estabilidade da produção, o fator sanidade e o aumento das metas de exportação foram alguns dos assuntos tratados ontem na primeira reunião da Avipar - Associação dos Abatedouros do Paraná, que reuniu também os representantes de frigoríficos de Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
Ao final da reunião, o presidente da Avipar, Paulo Muniz, procurado por este jornal, disse da preocupação do setor com um crescimento equilibrado em função do custo da ração. Há um período de escassez pela frente e o setor não quer se arriscar e, portanto, o consenso é a cautela nos alojamentos de pintos.
Ou seja, ninguém vai dar passo maior que a perna. E a perna, no caso, é o preço do milho, de tantas caneladas em 99.
A prudência indica que não se deve incorporar custos que não se pode repassar.
Mas, em termos de exportação o setor quer ousar, ou pelo menos manter as metas de crescimento a uma taxa de 20%, em cima dos embarques de 1998 (650 mil toneladas). A meta é chegar no ano 2002 com 1,3 milhão de toneladas exportadas.
Outro esforço do setor é ampliar a modalidade cortes que agrega mais valores. A tendência é substituir o frango enquanto commodities entrando na especialidade do corte. Em pedaços, o setor expõe sua criatividade, conquista nichos de consumidores e cresce em termos de preço médio.
Outra informação do empresário Paulo Muniz, ontem: o setor acredita num consumo per capita em 2000 de 30 kg/ano, ou mais. Ele acha que se houver uma mudança no conceito de cálculo vamos ver que o consumo já deve ter atingido os 30 kg. Os parâmetros usados para aferir consumo são os mesmos de dez anos atrás mas hoje seria necessário levar em conta a velocidade do ganho de peso
das aves.
Argentina? Claro que a crise com a Argentina (cerca de 2% das exportações brasileiras) preocupa os empresários reunidos ontem em Curitiba. Mas, pela explicação de Muniz, não se pode esperar muito da Argentina, na atual relação do câmbio. Eles, os argentinos, sempre estarão em busca de salvaguardas para sua produção.
LEITURA DINÂMICA
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A CNA informou ontem que o processo para apurar a prática de dumping no leite importado do Mercosul, Austrália e UE, conta com cerca de 8 mil páginas e não está longe de uma decisão firme do governo brasileiro.
-Uma das medidas é a definição dos valores das sobretaxas a serem aplicadas a partir de fevereiro.
-A CNA pressiona para que a aplicação dos direitos compensatórios seja rápida, já que o volume de importações de leite tem aumentado bastante em pleno período da safra brasileira.
-A investigação de dumping é feita em cima da Argentina, Uruguai, Nova Zelândia, Austrália e países-membros da União Européia. Todos esses países tiveram de responder a um amplo questionário, antes que o governo brasileiro decidisse pela aplicação de direitos compensatórios sobre todos os produtos.
- - - DROPS
Sem ilusão O pacote de medida que FHC vai anunciar dia 19 (manchete desta página), não inclui nenhuma linha de crédito. Apenas vai (re)lançar a CPR, com algumas modificações e comn ênfase à liquidação financeira pelo BB.
Seguro Talvez o mais importante seja o seguro agrícola. Mesmo assim só vale para a safra 2000/2001 e tem uma conotação política: elevar a área de plantio segurada.
Segundo 2 O governo quer estimular o seguro privado. Hoje há duas empresas de seguro atuando na área rural, a Cosesp, do Estado de São Paulo, e a Porto Seguro, que é privada.
Seguro 3 Para estimular a entrada de outras companhias, o governo vai fortalecer o Fundo de Estabilidade usado para garantir as operações de seguro rural. O fundo, alimentado pelas empresas já em operação, tem hoje um patrimônio de R$ 60 milhões.
Seguro 5 A idéia é que o Tesouro amplie esses recursos em R$ 50 milhões, este ano. O Ministério da Agricultura prevê que em cinco anos o fundo passará a ser auto-suficiente.





