-O governo desistiu de ampliar os limites dos financiamentos de custeio de R$ 30 mil para R$ 150 mil para culturas geradoras de emprego no campo, como café e cana-de-açúcar. Segundo fontes do Ministério da Agricultura, a idéia que prevalece, no momento, é de uma modificação moderada no limite de custeio para a soja, que poderá passar de R$ 30 mil para R$ 90 mil, e também para a pecuária de leite, ainda sem valor estipulado.
-Na verdade esta ampliação seria cínica demais. Como aumentar o limite de crédito se o próprio governo sabe que não tem condições de aumentar o volume total? A pouca disponibilidade de recursos vai impor racionamento e reduzir o limite para todos, grandes, médios e pequenos.
-A ampliação dos limites havia sido proposta pelo grupo de coordenação de política agrícola do ministério, liderado pelo ex-secretário de Política Agrícola, Guilherme Dias. Os financiamentos do crédito rural até R$ 30 mil atingem todas as culturas e atividades da agropecuária. Para as lavouras de arroz, feijão, milho, trigo e mandioca o limite é de R$ 150 mil, chegando até R$ 300 mil para o algodão. Técnicos do governo lembram que os produtores de café já têm um sistema próprio de financiamento por meio do Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé), administrado pelo Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo (MICT) e a cana-de-açúcar é ‘‘uma incógnita’’.
-‘‘Abrindo o limite de financiamento, o governo pode criar expectativas que não serão atendidas porque não há recursos’’, disse um dos técnicos, em entrevista ontem à repórter Mariângela Heredia, da Agência Estado. Fontes especializadas do setor sucroalcooleiro salientam que o financiamento de safra de um usineiro de médio porte é estimado hoje em R$ 500 mil e avaliam que a medida sugerida pelo governo poderá atender, no máximo, alguns pequenos produtores de cana.
-O novo secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Benedito Rosa, disse à Agência Estado que o plano de safra 1997/98 deve ser anunciado pelo ministro Arlindo Porto no próximo dia 11, após reunião do grupo de coordenação de Política Agrícola. Na véspera, dia 10, o ministro apresentará as propostas ao Fórum Nacional de Agricultura (FNA), que trabalha na formulação de uma política agrícola para o País.
-Rosa informou que a idéia de atender um público maior no próximo ano/safra surgiu do aumento dos depósitos à vista nos bancos, estimulado pela queda da inflação e pela cobrança da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). ‘‘Mas ainda não há consenso técnico sobre a proposta de ampliar os limites, pois o volume de recursos não é suficiente para uma abertura muito grande’’, admitiu.Costela

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