Oswaldo Petrin
Preço da farinha
O Brasil compra muito trigo da Argentina. E ela gosta. O Brasil vende muito frango para a Argentina. Ela não se conforma.
O preço do trigo argentino caiu de US$ 120,00/tonelada, em dezembro, para atuais US$ 95,00/tonelada. O preço do trigo argentino é o aferidor do mercado, hoje, no Brasil e alguns agentes de mercado acham que a redução será ainda maior. Esta semana, algumas companhias brasileiras e moinhos chegaram a importar trigo por US$ 94,50 a tonelada.
Como a indústria moageira está repassando o diferencial para a indústria de massa, por força da própria concorrência do mercado, o setor de massas teria que adotar o mesmo procedimento nos seus preços finais.
A Associação Brasileira da Indústria de Massas Alimentícias (Abima) garante que isto vem ocorrendo. O setor de massas reduziu em 3,2% em média os preços de um universo de cerca de 30 itens. Na média, porque há itens, como o macarrão, cujo ajuste foi três vezes isto. No caso do macarrão, o peso da farinha de trigo no custo de produção é de 50%.
Como se observa, a queda de preços do trigo pode não ser interessante para o agricultor brasileiro, mas beneficia o consumidor. Embora em termos percentuais os valores não impressionem, em valores nominais os números são expressivos.
A queda superior a 20%, é significativa, tanto que a Argentina quer evitar que o preço continue cedendo. O governo argentino, preocupado com a redução dos preços nas exportações, por causa da boa safra, está pedindo mais tranquilidade aos exportadores na hora de vender e prometeu recursos para financiar as vendas numa tentativa de segurar um pouco mais o preço do produto. A Argentina tem uma produção de trigo estimada de 14,4 milhões de t e um consumo interno de 4 milhões de t.
Dumping Os exportadores de frango para a Argentina terão que assessorar o governo para a próxima reunião de negociadores do Mercosul, dia 12, quarta-feira, em Brasília. É que dependendo do resultado dessa reunião, a Argentina adotará medidas antidumping contra o Brasil.
Perdedora na competitividade, a Argentina não transige na acusação de que o frango brasileiro conta com subsídios e por isso esta comprometendo a indústria local. Até o fim deste mês, a Secretaria de Indústria e Comércio da Argentina terá de definir qual medida antidumping tomará contra o Brasil.
LEITURA DINÂMICA
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A entrada de frango brasileiro está limitada pelas cotas estabelecidas pelo juiz federal Juan Papetti, da cidade de Concepción. Em novembro, ele implementou cotas de 3.742 toneladas mensais para as aves do Brasil.
-Linguagem jurídica é linguagem jurídica em lá e cá. No despacho, o juiz diz que tomou a medida por considerar que estava ocorrendo uma invasão de galináceos do principal sócio do Mercosul.
-A Argentina prepara agora a implantação de um preço mínimo para entrada do frango brasileiro. Talvez US$ 1.044/tonelada. Mas isto são conjecturas.
Os argentinos ainda estão com o ajuste cambial na garganta. Desvalorização do real tornou o frango mais competitivo.
DROPS
Guerra/açúcar
Velocidade Os preços do milho tiveram aumento médio de 1,2% ontem nos Estados de São Paulo e de Goiás. As cooperativas consultadas pela Agência Folha atribuem o aumento à falta de produto no mercado, provocada pela entressafra, e ao aumento da procura pelo milho.
O STF cassou ontem liminar que beneficiava os usineiros de São Paulo em disputa com os do Nordeste. A batalha judicial envolve a preferência para preencher uma cota de exportação para os Estados Unidos em que as condições são favoráveis para os produtores.
Usineiros Uma lei de 1996 dava aos usineiros do Nordeste e do Norte a preferência para o preenchimento da cota. O TRF com sede em São Paulo, concedeu liminar que suspendeu a vigência da lei em ação movida por usineiros paulistas.
Desigualdades O governo federal tomou a iniciativa de contestar a liminar, sob o argumento de que a lei tem o objetivo de reduzir as desigualdades regionais.





