O passeio do osso
São Paulo teme desabastecimento de carne e quer facilitar a entrada de carne com osso do Mato Grosso e Paraná. Já o Mato Grosso do Sul está apostando em venda de carne desossada para os paulistas.
Ontem, o presidente do Sindicato da Carne do Estado de São Paulo, Edivar Queiroz, disse que o Ministério da Agricultura precisa mudar a portaria que proibiu o transporte de carne com osso para São Paulo. Enquanto isso, o presidente da Bolsa de Mercadoria de Futuro do MS, João P. Dias, dos 32 frigoríficos do MS, pelo menos 18 estão em condições para a desossa.
Paulisas acham que é preciso autorizar a transferência de carne com osso dos frigoríficos do MS e Paraná para as indústrias de São Paulo, ‘‘antes que o mercado se acomode de outras formas’’. Entre elas está o aumento de preços e a burla fiscal.
Ontem, na praça de Araçatuba, a arroba foi cotada no mesmo valor da semana passada, R$ 41,00, mas segundo o comerciante de gado Francisco Salles, as ofertas foram reduzidas. Em Campo Grande, aconteceu o contrário. A arroba, que chegou a ser cotada R$ 39,50 antes da portaria, caiu ontem para R$ 37,00.
O Mato Grosso do Sul é hoje dono do maior rebanho de gado de corte do País (22 milhões de cabeças). No entanto, a exclusão daquele estado do Circuito Centro-Oeste de Gado de Corte - que já conquistou o título de área livre da aftosa com vacinação -, está provocando uma ‘‘inquietação na cadeia produtiva da carne’’, conforme o sindicalista Edivar Queiroz, ao repórter Antônio do Carmo, da AE, ontem.
A portaria do Ministério da Agricultura que passou a vigorar desde o dia primeiro de janeiro, determina que a carne do gado abatido no Mato Grosso do Sul só entra em São Paulo depois de desossada. No entanto, metade dos frigoríficos daquele estado não tem equipamentos nem pessoal treinado para realizar essa operação (o que é negado pelas indústrias do MS). Daí a sugestão dos industriais paulistas para que a portaria seja corrigida autorizando que os frigoríficos paulistas credenciados pela Inspeção, possam receber carne dos frigoríficos do MS que também possuem o credenciamento.
Para Cláudio Cereira, diretor de uma rede de frigoríficos no Mato Grosso, Rondônia e São Paulo, essa seria a solução mais eficiente já que os frigoríficos estariam tecnicamente protegidos, mediante procedimentos de destruição dos ossos. Essas providências, segundo ele são capazes de garantir a imunidade da carne ao virus da aftosa.



LEITURA DINÂMICA
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Mais que ridículo esse crédito que o presidente FHC anunciou ontem no seu programa de rádio. Cada pequeno produtor receberá R$ 500,00. Só teria lógica se fosse afundo perdido. FHC deve ter apostado na baixa audiência do programa.
-As chuvas estão comprometendo a qualidade e o tipo dos cafés finos da Mogiana. Espaço no mercado para o Paraná mostrar seus bons cafés, injustamente vendidos com deságio.
-Exportações de calçados podem crescer 40% este ano. Previsão é de Francisco Santos, presidente da Couromoda 2000, entre os dias 11 e 14 de janeiro no Anhembi (AE).
-Otimismo tem base no sucesso dos produtos brasileiros num dos principais eventos do setor nos Estados Unidos, a Ffany, realizada em Nova York, no começo de dezembro.

DROPS
Carne/exporta
Chance de aumentar a exportação de carne anima pecuária de corte, depois de um período de vacas magras. Temporada de leilões pega o setor aquecido. Pecuaristas estão investindo mais na melhoria dos pastos. Outro fator favorável é a volta das chuvas.
Reposição Aumento da demanda pelo gado de reposição aumenta preço de boi magro e bezerros, garantindo sustentação do preço do boi gordo (ver seção mercado). Previsão é de Sérgio Mendes, da Rural Business.
Temporada A fase de leilões começa dia 13, quinta-feira, no Parque Ney Braga, com gado geral para cria, recria e engorda, de cruza industrial e nelore. O evento deve refletir um bom momento do mercado.
Exportações As exportações devem aumentar e puxar os preços internos na expectativa dos pecuaristas. Já o presidente da Bolsa de Mato Grosso do Sul, João Pedro Dias, aposta nas exportações internas de carne desossada para São Paulo. Nada menos que 32 frigoríficos do MS estão se habilitando a vender carne desossada para São Paulo.