Oswaldo Petrin
O big do Milênio
Agora é olhar para frente e entrar de cabeça nos novos paradigmas que (re)organizam os negócios e mudam a postura dos seus personagens. A tendência deve se configurar mais claramente a partir do novo milênio, ano que vem. Mas os primeiros sinais são nítidos: responsabilidade social.
Trata-se do seguinte: entre tantos componentes que prometem permear atitudes das empresas daqui para frente , a preocupação social estará entre as prioridades.
Portanto, o big starter, do novo século e milênio, será a concepção de uma espécie de nova ordem nas relações das empresas com o seu ambiente externo - entenda-se ambiente social e meio-ambiente, no sentido literal.
Em paralelo, correm outras preocupações como a busca por maior espaço nos negócios via internet - ainda sem o arcabouço jurídico com relação a garantia de identidade da mercadoria, cumprimento das condições combinadas, emissão de recibo contra-entrega. Hoje não há sequer garantia de entrega. Tudo isso e mais a interminável luta por qualidade, a globalização e seus tropeços. Mas isto é uma questão de tempo.
O que está aí, emergindo agora, é uma nova concepção das empresas sobre o local onde está inserida: a cidade, sua gente, sua cultura, suas carências, etc. Que vínculo deve ser criado, que benefício se pode oferecer, como montar um projeto social, em cima de que diagnóstico...
Filosófica e ideologicamente, as empresas vão rever seu papel no sentido de contestualizá-lo mais na realidade social, sintonizando com atitudes e expectativas de mudança.
Dez anos atrás, havia sinais isolados e impetuosos como a decisão de consumidoras de não adquirir bolsas ou cintos de pele de animais silvestres; ou móveis de madeira de florestas naturais (ecologicamente correto). Mais tarde vieram posições mais enérgicas, oficiais, como a não aquisição de produtos cuja produção industrial ou agrícola empregara mão-de-obra infantil (politicamente correta). Em Seattle, bem recente, houve o discurso de Clinton - dizem que equivocado - em relação à mão-de-obra infantil na indústria brasileira de calçados. Mas, do lado de fora, as manifestações contra a Organização Mundial do Comércio (OMC) eram mais contundentes e levavam em conta questões sociais, ecológicas, etc.
Em muitos casos apelos ecológicos, barreiras sanitárias, exigências quanto aos métodos empregados na confecção de uma mercadoria, são usados para disfarçar barreiras protecionistas ou alfandegárias.
LEITURA DINÂMICA
- Programas de ação social serão novo componente nas dotações orçamentárias das empresas. Informalmente, isto já ocorre em alguns países. As comunidades adotadas pela empresa, em geral são aquelas em que vivem parte de seus empregados.
- O resultado, medido pela produtividade, é bom. Esporte e educação são os setores beneficiados nos países ricos. Em Países pobres, os projetos contemplam saúde e educação. Investimento no homem, melhor investimento.
- É humano e políticamente interessante para a empresa. O risco é a transferência de mais encargos para o setor produtivo, enquanto o Estado se afasta do seu papel na elaboração de políticas públicas.
- Enquanto a relação for mantida entre empresa e comunidade a parceria cidadã deve ir bem. O risco é institucionalizar programas mais amplos que demandem verbas oficiais. Aí cria-se um vício perigoso.
DROPS
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Empresa/comunidade Uns vinte anos atrás, quando o Bamerindus lançou a campanha - ousada na época - inspirada no tema Bicho do Paraná, entrevistei Sérgio Reis, da área de marketing. As empresas têm que se identificar com sua comunidade - disse ele. A idéia de valorizar a gente do Paraná e seus talentos estava consolidada.
Naquela oportunidade, Reis observou: as empresas têm que atolar o pé no barro, descer ao nível da comunidade (a colocação em linguagem figurada estava longe de qualquer conotação pejorativa).
Carência Hoje, mais do que conquistar o cliente, como objetivo-fim, as empresas tendem a assumir uma função social, suprindo a ausência de políticas sociais e ausência de governos que desperdiçam os recursos e não cuidam do social.
Imediato A responsabilidade social da empresa é a extensão do compromisso social da comunidade, socorrendo áreas de saúde, segurança e educação. Seria melhor se empresas e comunidades somassem forças para construir futuros e um mundo melhor, em vez de apagar incêndios do presente.





