Pré-comercialização

- A agricultura é movida à base de sonhos e otimismo, invarialmente exagerado. Esta semana quem ‘‘segurou as pontas’’ foi o setor de sementes, com ânimo para reivindicar e propor. E o setor de marketing rural, que pilota a máquina dos sonhos. Seguinte: representantes das indústrias de sementes defenderam quinta-feira e ontem, no seminário ‘‘Rumos do Negócio de Sementes no Brasil’’, realizado em Campinas, a criação de novos mecanismos de financiamento para a produção e pré-comercialização de sementes. A entidade quer também o incremento dos uso dos instrumentos já existentes, como a Cédula de Produto Rural.
- Devido às dificuldades para obtenção de crédito rural, quem financia a produção de sementes é a indústria. O ‘‘financiamento informal’’, como denomina Sílvio Teixeira, diretor da Divisão Agropecuária da Cargill Agrícola, é feito através do pagamento antecipado de parte da produção. ‘‘A indústria só financia o produtor porque precisa da matéria-prima, mas não é da competência dela fazer isso’’, afirmou Wilson Marcelo Prado, vice-presidente da Divisão de Agribusiness da ABC Algar, em entrevista à repórter Alta Amaral, da ‘‘AE’’. Prado disse esperar que, com a economia se estabilizando, ‘‘os bancos cumpram seu papel de financiar o produtor rural’’.
- Paulo Rabello de Castro, da RC.W Consultores, também defendeu a criação de mecanismos alternativos de obtenção de crédito, com taxas de juros em condições internacionais, para que as empresas brasileiras possam concorrer com as estrangeiras, que têm acesso a juros mais baixos.
- O vice-presidente da Associação Brasileira de Marketing Rural (ABMR), Luiz Alberto da Silva, a tendência é de o governo intervir cada vez menos no setor agrícola. Com isso, novos mecanismos de financiamento seriam fundamentais. Ele questionou o motivo pelo qual apenas o Banco do Brasil opera com CPR. Segundo Silva, se outros bancos participassem, o papel seria mais competitivo. Luiz Alberto da Silva disse que em março do próximo ano o agricultor poderá ter acesso a um novo instrumento. Trata-se do Agricard, um cartão de crédito para compra de insumos, com taxa de juros equivalente à do crédito rural, e com ‘‘modalidades múltiplas de financiamento’’. Isto é, o prazo de pagamento do cartão levará em consideração o ciclo produtivo da cultura financiada e o tipo de atividade pecuária ou agrícola.
- De acordo com Silva, o Banco Central já aprovou o novo produto, iniciativa de grupos ligados à Frente Parlamentar da Agricultura e ao Fórum Replantar Brasil. Silva não divulgou o nome da empresa administradora do cartão e do agente financiador, com os quais estão sendo feitos os últimos acertos antes do lançamento do produto. O agricultor poderá solicitar o Agricard em revendas de insumos credenciadas, que terão formulários disponíveis. Esses formulários serão enviados ao agente financeiro para a aprovação.
Milho FGV/BM&F

O indicador de preço de milho, calculado pela FGV/BM&F, ficou ontem em R$ 7,60/saca de 60 kg, com pequena queda. Em dólar, a cotação ficou em US$ 7,35/saca, em queda de 1,13%. O valor a prazo foi de R$ 7,84/saca. Nas tabelas, preços do Paraná.
Café
- O mercado esteve parado esta semana. As Bolsas trabalharam em baixa, mas os produtores não aceitaram os novos patamares de R$ 3 a R$ 4 a menos por saca. Pelo menos 60% da safra será comercializada até o final do ano.
Preço
- O restante está nas mãos de produtores capitalizados, o que, segundo corretores, indica que o café pode subir no primeiro semestre de 97. A indústria concorda com a previsão mas se diz ‘‘razoavelmente abastecida’’.
Carne
- As exportações apresentaram pequena reação em outubro, após seis meses de queda. De janeiro a outubro, totalizaram 224 mil toneladas, contra 231 mil em igual período de 95. Mas o balanço do ano não é nada otimista. País perdeu muito espaço.
Subiu
- O preço do boi gordo à vista subiu 0,48% ontem, com a cotação de R$ 23,02/arroba. Em dólar, a alta foi de 0,45% e o preço ficou em US$ 22,24. A prazo, o preço subiu 0,42% e ficou em R$ 23,72. Os dados são da Esalq/USP.

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