Vender para a China
‘‘Se cada chinês tomar uma xícara de café por dia, será um achado’’. O pioneiro da indústria de café solúvel, Horácio Sabino Coimbra, fez sua parte abrindo mercados russo (soviético na época) e tentando o chinês. Mas as os artifícios de barreiras protecionistas e omissão dos governo prejudicaram as pretensões do setor privado de conquistar um mercado de 1,2 bilhão de consumidores (potenciais).
A história começa a mudar a partir desta segunda-feira. É que o Brasil vai se aliar aos EUA para acelerar o processo de inclusão da China na Organização Mundial do Comércio (OMC).
Antes mesmo de formalizar o apoio, o Brasil já tem uma prospecção do mercado chinês e pretende conquistar fatias consideráveis desse mercado. Já existe entendimento para exportação de suco de laranja, café solúvel, óleo de soja e celulose.
Segundo o embaixador Valdemar Carneiro Leão, diretor-geral do Departamento Econômico do Itamaraty, à Agência Folha, ontem, o Brasil terá a chance de se efetivar como principal fornecedor para a China dos quatro produtos que está negociando, embora a alíquota reduzida seja válida para todos os países exportadores. O Brasil também deverá se beneficiar dos acertos feitos por outros países, que diminuíram as tarifas de produtos de seu interesse - como açúcar, carne bovina, autopeças e miúdos de frango.
A iniciativa tende a melhorar o fluxo do comércio bilateral, que fechou em apenas US$ 1,541 bilhão em 99, e o saldo para o Brasil, que foi deficitário em US$ 189 milhões no período.
No caso do óleo de soja, a tarifa de importação aplicada pela China vai
cair de 85% para 9% para uma cota inicial de 1,7 milhão de tonelada (que deverá aumentar para 3,2 milhões de toneladas em 2005) quando o país
aderir definitivamente à OMC.
No caso do suco, a China garante que sua dependência do mercado externo não vai longe. Membros de uma missão que esteve dias atrás em visita ao Iapar e aos plantios de laranja do Noroeste, disseram que há um programa de fomento à produção e industrialização. Mas evitaram entrar em detalhes. Dentro do acordo que está sendo estudado com o Brasil, a tarifa do suco cairá de 35% para 15%, sem definição de limite.
Para o café solúvel, de 50% para 30%. No caso da celulose, a alíquota, que é de 1%, será zerada. A tarifa do açúcar, negociada pela Austrália, maior fornecedora do produto para a China, cairá de 76% para 30%, mas apenas para a cota de 1,6 milhão a 1,9 milhão de tonelada.



LEITURA DINÂMICA
-Mas, se a missão da China que esteve no Paraná deixou entrever certo interesse pela tecnologia agrícola e industrial (visitara também uma indústria em Paranavaí), não está afastado o interesse pela compra de sucos.
-Os Chineses industrializam apenas a polpa e estão longe do estágio avançado da industrialização brasileira. Pelo nível tecnológico de que dispõem, parece que querem mesmo é sondar a importação.
-E o yuan? A preocupação dos especialistas brasileiros é com a estabilidade da moeda chinesa. Mas para quem lutou tanto tempo para entrar na OMC é difícil admitir a hipótese de ajustes de impacto, como eventual desvalorização.
-Há empresários que não acreditam na abertura chinesa. A entrada da China na OMC deveria significar a abertura do mercado chinês para o mundo. Esta dificuldade na China não é nem política é cultura. Tem gente pagando para ver.

DROPS
Turismo rural Aquela topografia irregular, os relevos, os morros, enfim cenários que compõem seu sítio ou fazenda - e que você talvez subestime - podem ser pré-condição para a infra-estrutura que vai tornar o local ainda mais aprazível.
Turismo 2 Daí pode surgir a inspiração para um futuro projeto de turismo. Claro que ainda está faltando quase tudo. Mas não custa consultar quem está tratando do assunto profissionalmente, a Emater.
Turismo 3 As oportunidades de turismo se localizam em torno de atrativos naturais ou construídos, diz o jornalista Sérgio Henrique Schmitt, no ‘‘decálogo para oportunidades viáveis’’ (a um projeto de turismo).
Turismo 4 ‘‘As oportunidades de turismo têm que ser concebidas através características culturais autênticas da vida do campo’’, ensina o assessor de Comunicação Marketing e Turismo Rural da Emater.
Turismo 5 Projetos de turismo rural são implementados por decisão empresarial pessoal com apoio de órgãos publicos, comunidade, parceiros, sugere o Schmitt. Mais informações: telefone 43 341-1411, e-mail
[email protected] ou [email protected]