-O trabalho que o governo está fazendo para montar um plano de safra para 97/98 (ainda ontem esteve em Londrina um técnico da Conab, para tratar do assunto - matéria ao lado) pode ser interrompido com a saída do secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Guilherme Dias. Ele pediu demissão do cargo ontem. Segundo a Agência Estado, com base em fontes ‘‘credenciadas do ministério’’, Dias não quis confirmar o pedido, mas indicou que poderá trocar de missão dentro do governo. Guilherme Dias é homem de confiança do presidente Fernando Henrique e pode ter mesmo recebido outra atribuição no governo, mas não nas funções de secretário de política agrícola. Dias defendia aumento do preço mínimo e a exclusão da soja dos produtos que têm crédito restrito. E internamente sempre se colocou contra as taxas de juro acima de 9%.
-A decisão do governo de ampliar o limite de custeio na próxima safra foi bem aceita no setor agrícola. De fato o aumento do teto de financiamento foi positivo mas é preciso aumentar o bolo, como defendem a Faep e a CNA. Sem dinheiro suficiente não adianta aumentar a fatia de cada um.
-Seguinte: o governo decidiu ampliar a oferta de emprego no campo e vai quintuplicar o limite de custeio para produtos que são fortes geradores de mão-de-obra. A proposta em estudo para o novo plano de safra prevê o aumento de R$ 30 mil para R$ 150 mil do limite de financiamento de custeio, que poderá beneficiar culturas como a de café, cana-de-açúcar, sorgo e soja. Atualmente, as culturas de arroz, feijão, milho, mandioca e trigo já são contempladas com verbas para custeio. O novo plano de safra está em discussão nos ministérios da Agricultura e da Fazenda e poderá ser aprovado na próxima reunião do CMN, semana que vem.
-O conjunto de medidas em discussão na área técnica, se de um lado objetiva atender à prioridade do governo de estimular a contratação de mão-de-obra na lavoura, de outro não está agradando muito aos produtores. A ampliação do limite de custeio é um item que tem aprovação de todos. Mas a discussão do ‘‘pacote’’ esbarra na resistência dos produtores de aceitar uma taxa de juro entre 9% e 10% ao ano como quer o governo.
-Os agricultores gostariam de receber o financiamento de custeio com um juro anual não superior a 6%, o que está sendo descartado pelos economistas do governo que participam da discussão. ‘‘Um juro de 9% e 10% é bastante razoável’’, ponderou o coordenador da área agrícola da Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Evandro Fazendeiro Miranda. Ele sustenta que os juros do financiamento têm de comportar uma taxa que estimule a participação dos bancos. ‘‘Trata-se de uma taxa que é compatível com a queda da inflação e ao mesmo tempo atrativa aos bancos’’, justificou. Evandro insistiu, no entanto, que todas as propostas ainda estão em discussão.Café/Apac

mockup