Década não-perdida
Setores da economia, inclusive do governo, comemoram nestes dias uma década não-perdida. De fato, os anos 90, com todos os percalços e contradições, foram infinitamente melhores se comparados à decada perdida de 80, a começar da evolução política. Melhores, é bom que se diga, para a população economicamente ativa, longe da exclusão social.
Já os indicadores sociais são flagrantes e apontam que não houve avanço algum. Para se ter idéia, não é necessário ir longe na história. Basta verificar o diagnóstico e propostas do professor Hélio Jaguaribe Para um Novo Pacto Social, Brasil 2000, em 1986. As carências são as mesmas.
Contrastes criados pela evolução tecnológica à parte, o Brasil ainda é o país que revela hoje a maior distância entre indicadores econômicos e indicadores sociais. E em cuja economia coexistem setores extremamente modernos e extremamente atrasados.
Mas, como este reconhecimento de que temos uma década não perdida parece ufanar principalmente setores oficiais, é razoável reconhecer que onde se conseguiu evoluir, foi apesar do governo (caso da agricultura e alguns setores bem localizados, como a informática, globalização mal-conduzida com seus altos e baixos) e, nos pontos em que afundamos - violência, desemprego, etc -, se bem analisarmos veremos que ações oficiais foram impotentes, mesmo quando foi para reprimir efeitos, em vez de prevenir a causa.
Portanto, visto à distância, o estado social da Nação revela carências há décadas diagnosticadas, mas ainda aguardando ações do governo e da sociedade. Independe se esses flagelos têm origem estrutural ou conjuntural. O fato é que não existe enfrentamento do problema. E aqui ainda há uma variável a ser definida: a visão de desenvolvimento social do atual governo ainda suscita uma equação híbrido-conservadora, quem sabe, às vezes, alternando perspectivas reformista. A não ser que se aprove, por exemplo, políticas como a de assentamento agrário e os improvisos que incorpora.
Se no campo social não há indicadores de mudanças, no econômico vive-se a contradição da globalização. A privatização, clamada pela sociedade, tropeçou no conservadorismo político. No campo em que avançou, não conseguiu converter em distribuição de rendas e benefícios sociais os valores das transações.
Enfim, se a década, pelas mãos da iniciativa privada, foi farta em mudanças e até certo ponto produtiva, é preciso reconhecer que, paradoxalmente, foi muito tímida no seu ponto mais humano e almejado: a busca do caminho para geração de emprego e melhor distribuição de renda.

LEITURA DINÂMICA
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Problema social à parte, não se pode ignorar avanços pontuais do Plano Real como o ajuste cambial no começo do ano. Livre das amarras da política monetária, a economia cresce na área de exportação.
-Mas a camisa de força da política cambial persiste. Assim como as taxas devem manter em altas os juros de investimentos. O Ministério da Fazenda sabe que os investidores continuam com um pé atrás.
-Setores do agronegócios, mais prejudicados no esforço pela estabilidade acham factível um crescimento econômico em 2001/2002. O lucro do ano 2000 ainda será para cobrir perdas deste ano, entendem.
-Mas ninguém deve sonhar, mesmo lá pelo ano 2002 com um boom de investimentos. Ainda ecoa entre empresários, o conceito do Banco Mundial de que nossa recuperação é frágil. Não é o que pensa o FMI.



DROPS
Milho Instituição autorizada como Conab, Deral, Safras & Mercado, BM&F estão apontando o milho como uma das culturas mais rentáveis no próximo ano.
Milho 2 Para as cooperativas do Sudoeste e Oeste do Paraná, que lideram a produção de suínos, os agricultores vão ousar e plantar o milho mesmo fora da sua melhor época. O preço compensa eventual menor produtividade.
Milho 3 O preço do milho nacional (R$ 12,80 a R$ 13,00 Fob interior do Paraná) está nivelado ao preço do milho importado. Não via subir muito além desse patamar, portanto.
Recesso Com exceção do café que vive um período de muita especulação, as commodities agrícolas ficam fora do mercado até início de janeiro, agentes do mercado prevêem ‘‘a retomada de negócios’’ só na segunda semana.

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