Oswaldo Petrin
Salários conspiradores
O sindicalista Vicente Paula da Silva, o Vicentinho, disse certa vez que se as indústrias quiserem garantir mercado para os veículos que fabricam, que promovam aumentos de salários aos seus empregados. Referia-se às montadoras. Mas a receita é válida para quase todas.
A mensagem, aparentemente simplista - com conotação apenas crítica naquela oportunidade -, tem um significado mais amplo (e capitalista) do que a imaginação de alguns empresários pode captar.
Ontem, a mesma fonte que divulgou aumento na oferta de emprego da indústria, informou que o salário médio real pago pelo setor continua em queda, apontando, em outubro, redução de 0,8% sobre setembro. A pesquisa é do IBGE.
Moral da história é que em matéria de progresso econômico (e social) alguns setores da iniciativa privada seguem a mesma linha do governo FHC. O povo não pode sair por aí comprando tudo o que precisa; isso atiça a inflação. Portanto, quando menos dinheiro no bolso, melhor para a estabilidade econômica.
E dá-lhe juros altos, que também é uma forma de manter o cabresto curto.
FHC segue um sistema de governo segundo o qual bolhas de consumo podem significar focos de inflação, na linguagem antiga da ortodoxia. Acaba-se com a bolha. Tudo porque a produção não acompanha a demanda. Os técnicos chamam de inflação de demanda agregada de bens.
É o país se nivelando por baixo. Só quem vende juros pode ganhar.
A notícia sobre os salários diz mais: em relação a outubro de 98, o salário médio real teve queda de 4,7% e no acumulado do ano (janeiro-outubro) a retração foi de 2,4%. Entre as regiões pesquisadas, o salário médio real só registrou leve crescimento de setembro para outubro em Minas Gerais (0,2%). Nas demais regiões houve queda: Nordeste (-0,1%), Rio de Janeiro (-0,6%), São Paulo (-0,7%) e região Sul (-1,0%).
Quanto à massa salarial houve crescimento apenas no Nordeste (1,3%). As
maiores reduções ocorreram em Minas Gerais (-1,2%) e São Paulo (-0,7%). No total do país houve uma queda de 0,5% em outubro.
LEITURA DINÂMICA
-A Citrosuco (de São Paulo) realizou ontem a primeira exportação de suco de laranja in natura. Segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), o volume foi embarcado em navio para os Estados Unidos. O valor é 50% maior que o pago pelo suco concentrado.
-Em artigo distribuído ontem pela assessoria de comunicação das Faep, o presidente da entidade, Ágide Meneguette, aponta razões pelas quais só a agricultura de escala tem condições de sobreviver.
-A produção nacional de carne de frango deve atingir 5,14 milhões de
toneladas este ano. Se confirmado, esse volume vai superar em 14,22% os 4,5 milhões de t de 98. No início da década, a produção era de apenas 2,4 milhões de t. (Vaivém das Commodities)
-O consumo per capita brasileiro está em 26,5 kg/ano, contra 23,8 kg no ano passado. Em 1990, o consumo médio por brasileiro era de apenas 14,7 kg, segundo o consultor José C. Teixeira, da APA. Ele também foi presidente da Associação.
Parado O mercado de commodities, que já vinha lento, parou definitivamente ontem. Os dados dos Indicadores abaixo, são referências de preços no atacado, para balizar negócios em lotes. Os preços ao produtor estão nos quadros abaixo.
Soja/Paraná O indicador de Preços da Soja Esalq/BM&F ficou em R$ 19,08/saca (+0,30%). Em dólar, o indicador registrou US$ 10,42/saca (-0,57%). O Indicador é calculado pela Esalq com base nos preços praticados no mercado disponível em cinco praças do Paraná. Veja preço ao produtor nos quadros abaixo.
Milho/lotes O indicador de milho, no atacado, calculado pela FGV/BM&F, ficou em R$ 14,89/saca (-0,27%). Em dólar, a cotação ficou em US$ 8,13/saca (-0,85%). O valor a prazo ficou em R$ 15,30/saca (-1,29%).
Boi gordo O valor à vista em reais do indicador do boi gordo Esalq/BM&F subiu 0,30% para R$ 40,63/arroba. Em dólar, o preço caiu 0,31%, para US$ 22,18/arroba. A prazo, a cotação ficou em R$ 41,35/arroba, alta de 0,17%. Os valores foram divulgados pela BM&F.





