O fiel das âncoras
O personagem-herói da âncora verde é também a âncora das exportações, pelo terceiro ano consecutivo. É, com perdão pelo trocadilho, o fiel da balança, porque não nega, e ajuda a entrada de dólares de que a economia tanto precisa.
Enquanto o diretor de crédito do Banco do Brasil admite publicamente que faltou crédito para o campo produzir alimentos destinados ao abastecimento interno e de exportação (nossa manchete de ontem), os dados sobre o desempenho da balança comercial mostram que, mais uma vez, a agricultura salvou a Pátria (nossa manchete de hoje). Não fossem as commodities agrícolas o déficit comercial seria vexatório. E a economia do País estaria amargando as consequências disso.
O governo trata na porrada os produtores de exportação, como se fossem uma elite privilegiada. Mas crédito mesmo faltou para todos, inclusive para a lavoura de subsistência, que não tem escala, mas tem função social importante.
Âncora da estabilidade, do plano real, a agricultura pode muito bem ser a âncora também do emprego. Basta que o governo FHC deixe de ser turrão e resolva criar recursos para investimentos. Vai ativar setores fornecedores como o de máquinas agrícolas, por exemplo. Emprego no campo e na cidade.
O agronegócio dá resposta rápida. O governo deveria reverter a crise do desemprego apostando na produção, na agroindústria. Mas este governo é muito fraco.
Mas para os pequenos há uma notícia no mínimo esperançosa. Não para este ano. O Banco Cooperativo Sicredi (Bansicredi) deverá liberar R$ 350 milhões para o financiamento de custeio da safra 2000/2001 no Paraná, Rio Grande do Sul, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Serão utilizados recursos próprios, repasses do BNDES e das 102 cooperativas que compõem o sistema. A taxa é igual àquela cobrada pelos demais agentes financeiros do mercado, de 8,75% ao ano.
Quem informou foi o presidente do Banco das Cooperativas desses Estados, Ademar Schardong. Para a safra de verão atual foram colocados R$ 230 milhões.
Segundo Schardong, o sistema de crédito cooperativo organizado em torno do Bansicredi tem 328 mil associados e clientes e conta com 502 pontos de atendimento. O patrimônio líquido, constituído pelas cotas dos associados e pela contabilização dos resultados, é de R$ 180 milhões. Os ativos totais alcançam R$ 850 milhões. O banco é controlado pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).
Ao integralizar suas cotas, os associados também têm direito, no final de cada exercício, à distribuição dos resultados na proporção do volume de operações que realizaram com o banco ao longo do período.



LEITURA DINÂMICA
-A concentração do varejo em poucas grandes redes de super-hipermercados é tão preocupante que já chegou à carne bovina. O setor pergunta: ‘‘Os grandes conglomerados que estão se formando serão ética e moralmente aceitos?’’.
-A pergunta será um dos temas de debate no 13º Congresso Mundial da Carne (de 18 a 21 de setembro, em Belo Horizonte), promovido pela Confederação da Agricultura (CNA) e várias entidades do setor.
-Entre os palestrantes do Congresso estarão técnicos do Banco Mundial, da American Farm Bureau, Conferência das Nações Unidas para o Comércio (Unctad), Oficina Internacional da Carne e OMC.
-No âmbito da sanidade estarão presentes técnicos da Organização Internacional de Epizootias (OIE), que farão seminário com agentes da medicina veterinária e responsáveis pelo controle preventivo da aftosa.

DROPS
Boi em alta O valor à vista, em reais, do indicador do boi gordo Esalq/BM&F, em São Paulo, subiu ontem 0,12% para R$ 40,51/arroba. Em dólar, o preço subiu 0,27% (US$ 22,25). A prazo, ficou em R$ 41,28, estável. Os valores foram divulgados pela BM&F.
Soja/Paraná O Indicador de Preços da Soja (em lotes) Esalq/BM&F, ficou em R$ 19,07/saca (+0,05%). Em dólar, o indicador registrou US$ 10,47/saca (+0,19%). O Indicador é calculado com base nos preços praticados no mercado disponível em cinco praças do Paraná. Veja também quadros abaixo.

Milho/alta O indicador de milho, calculado pela FGV/BM&F, ficou ontem em R$ 14,93/saca de 60 kg (+0,34%). Em dólar, a cotação ficou em US$ 8,20/saca (+0,49%). O valor a prazo ficou em R$ 15,50/saca (+1,31%). Veja nos quadros, preço ao produtor do Paraná.
Peru O Brasil está produzindo 115 mil toneladas de carne de peru este ano, 2,6% do total mundial. Em 1990, a produção era de 60 mil t. Já o consumo é de 91 mil t, 2% do volume consumido no mundo.

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