Começar com o verão
-Como o clima não colaborou e o governo não cumpriu com os seus compromissos, FHC deveria agir a partir de agora, quando o verão - que começa hoje - promete chuvas e o início, com atraso, dos plantios. Os recursos, que não vieram no momento certo, ainda chegariam a tempo.
-A economia agrícola terá um longo período de dificuldades ano que vem. Mas, pelo menos no mercado externo o cenário apresenta prenúncios positivos. A recuperação dos preços das commodities agrícolas deve proporcionar a retomada das vendas com uma melhoria sobre o quadro de 1999, quando as exportações apresentaram, até outubro, uma queda de 5,81% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo dados da Fundação Getúlio Vargas (FGV).
-Nesta segunda quinzena de dezembro já está havendo uma recuperação dos preços, com reflexo, ainda pequeno, nas exportações, o que desenha para 2000 um cenário mais favorável no comércio exterior.
-As esperanças do setor voltam-se também para os produtos lácteos. A estimativa é de que até fevereiro próximo, a Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio fixe tarifas compensatórias nas importações de leite em pó da Argentina, Nova Zelândia, Austrália, Uruguai e União Européia, como resultado da investigação de dumping solicitada pela Confederação Nacional da Indústria.
-Com exceção do mercado externo, o próximo ano não deverá ser fácil para os produtores brasileiros que, na maioria dos segmentos, continuam enfrentando queda de renda, descapitalização concorrência predatória, importações subsidiadas, barreiras imposta por outros países e perda de competitividade no mercado internacional.
-A estimativa para a safra 99/2000, feita pela CNA, aponta uma estagnação da produção, o que deve preocupar o governo. Se há uma população que cresce, uma necessidade de exportar cada vez mais para aumentar a receita do País e uma safra igual à anterior, a tendência é de que isso tenha reflexo nos preços, criando uma pressão inflacionária.
-Na estimativa da CNA, a produção nacional de grãos deverá ficar em 81,2 milhões de toneladas, com uma redução de 1% em relação a última safra, quando foram colhidos 81,9 milhões de t. O resultado revela que o Brasil deverá aumentar as importações de milho, arroz e trigo, que poderão chegar a 9,4 milhões de toneladas.



LEITURA DINÂMICA
O próprio diretor de Negócios Rurais do BB, Ricardo Conceição, foi quem admitiu que houve dificuldade para que os produtores tivessem acesso ao crédito. Grande novidade.
-Ele disse que houve atraso na liberação dos recursos para custeio, porque as regras que orientariam esse tipo de financiamento só sairam no dia 20 de agosto. Versão oficial.
-Importações de milho este ano vão passar de 1, milhão de toneladas para 1,8 milhão de t. São 500 mil t a mais. Mesmo assim o mercado se manterá em alta: praticamente não haverá safra.
-O Banco Central (BC) anunciou ontem que a TJLP cairá de 12,5% para 12% no primeiro trimestre de 2000. A nova taxa será aplicada nas operações realizadas entre 1º de janeiro e 31 de março.

Boi SP O valor à vista do indicador do boi gordo subiu ontem 0,15% para R$ 40,46/arroba. Em dólar, o preço caiu 0,28%, para US$ 22,26/arroba. A prazo, a cotação ficou em R$ 41,48/arroba, queda de 0,07%. Os valores foram divulgados pela BM&F. Veja abaixo preços no Paraná.
Milho O milho voltou a subir no atacado. O indicador de milho, calculado pela FGV/BM&F, ficou ontem em R$ 14,88/saca de 60 kg, alta de 1,09%. Em dólar, a cotação ficou em US$ 8,14/saca, queda de 0,25%. O valor a prazo ficou em R$ 15,30/saca, alta de 0,66%.
Juros EUA O Federal Reserve, o banco central norte-americano, manteve inalterados ontem os juros de curto prazo nos EUA, como já previa o mercado.
Viés A surpresa foi que o viés continuou neutro, quando se esperava uma mudança para viés de alta. O viés serve como indicativo da predisposição do Fed em relação à trajetória dos juros no país.

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