Oswaldo Petrin
Custos financeiros
Custo de empréstimos, ou serviços da dívida, e despesas financeiras, vêm sendo alvo de frequentes artigos de autoria dos especialistas em planejamento empresarial especialistas em finanças. Os constantes apelos à modernidade; a patética apologia à qualidade total, enfim os novos paradigmas da globalização, não têm sido suficientes para contrapor essa obsessão pela necessária redução dos custos financeiros.
Caem os juros básicos, a taxa Celic, evitam-se empréstimos fora de programas especiais, repassam-se taxas ao crédito de consumo. Mas, não tem jeito, o que está pegando mesmo são os custos financeiros, qualquer que seja a empresa, exceção apenas às grandes tradings que operam com juros de mercado internacional.
Ontem surgiu mais um dado para ilustrar um problema que as empresas aparentemente aprenderam conviver. Seguinte: as despesa financeira consome 29% da receita líquida de empresas.
O estrangulamento da receita das empresas por conta da elevação do endividamento e do serviço da dívida pode ter estimulado a conclusão de algumas fusões e aquisições ocorridas ao longo deste ano.
A despesa financeira das empresas de capital aberto está consumindo cerca de um terço da receita líquida. O crescimento do endividamento das empresas ocorrido com a desvalorização cambial e juros altos apertou o caixa das empresas, segundo levantamento feito com 70 companhias de capital aberto pelo professor Alberto Borges Mathias, da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) de Ribeirão Preto (SP).
Mathias, também executivo da empresa Austin Asys, afirma que a despesa financeira do conjunto de empresas subiu de 9,5% no primeiro semestre do ano passado para 29,4% no primeiro semestre deste ano. Poderá haver uma redução do total das despesas nos balanços do fim de ano, com o recuo da cotação do dólar.
Além do crescimento da dívida e do serviço da dívida causado pela desvalorização cambial, uma grande parte das empresas teve prejuízo e não conseguiu servir a dívida já existente, tomando novos empréstimos, diz Mathias, em entrevista a Tatiana Bautzer, da Agência Estado, explicando a razão do crescimento da dívida e das despesas financeiras.
Acima do patrimônio líquido: O levantamento, feito com base nos balanços de junho, constatou que nesse conjunto de empresas o total de endividamento superava o patrimônio líquido, atingindo 101,6%. Um outro estudo com 100 empresas baseado nos balanços de setembro mostrou um recuo do endividamento total sobre o patrimônio líquido para 45%.
Leitura Dinâmica
-Concentração da posse do mercado varejista trouxe força e arrogância às grandes redes. Primeiro setor a sofrer as consequências do monopólio das compras (oligopsônio) foi o atacado.
-Depois, chegou a vez dos hortigranjeiros que reclamaram do brutal poder de negociação das grandes redes de supermercados que além de pagar preços baixos, têm a cara-de-pau de pedir bonificação.
-Tudo isso em nome da escala. O fornecedor tem que bancar as promoções dos super-hiper. Em nome da competição e da qualidade, meia dúzia de redes controlam os gigantesco mercado varejista.
-No Paraná, o monopólio da compra, uma forma de organização, pegou os produtores/fornecedores desorganizados. Não há uma associação ou cooperativa com cacife para negociar com igualdade.
-O jeito é buscar solução fora do terreno comercial. Aí entram instituições que não existem para implementar os pequenos, mas impedir o crescimento dos grandes. Vide exemplo do Cade no caso das grandes fusões.
Milho Preço do milho iniciou a semana com alta. No Oeste e Sudoeste variou entre R$ 12,50 e R$ 13,00/saca. Em Maringá, Campo Mourão e Paranvaí entre R$ 12,20 e R$ 13,00. Em Londrina e Ponta Grossa entre R$ 12,80 e R$ 13,50.
Soja Paraná O Indicador de Preços da Soja, em lotes, ficou ontem em R$ 19,06/saca, queda de 0,57%. Em dólar, o indicador registrou US$ 10,52/saca, queda de 0,28%. O Indicador é calculado pela Esalq com base nos preços praticados no mercado disponível em cinco praças do Paraná.
Boi SP O valor à vista do boi gordo Esalq/BM&F caiu 0,05% para R$ 40,40/arroba. Em dólar, o preço subiu 0,27%, para US$ 22,30/arroba. A prazo, a cotação ficou em R$ 41,31/arroba, alta de 0,44%. Os valores foram divulgados pela BM&F.
Café O valor à vista em reais do indicador de preços do cafés tipo 6, teve alta ontem de 3,38%, ficando em R$ 260,96 a saca de 60 Kg. Em dólar, o preço subiu 3,67% e ficou em US$ 144 02/saca. A prazo, a cotação ficou em R$ 263,11/saca (+3 38%). Os valores foram divulgados pela BM&F.





