-Em maio, de novo, alimentos detêm os preços. Dias atrás, quando o Banco Central divulgou o crescimento do PIB agropecuário em 97 e o aumento da renda da agricultura, esta coluna tentou mostrar que o crescimento médio é apurado com base no crescimento do todo da economia primária, no caso agricultura e pecuária, sem rastrear gargalos setoriais. Por exemplo, a soja e a carne vão bem, mas o arroz gaúcho e goiano tiveram desempenho indesejável. Foi dito também que crescimento da renda do setor, não significa, necessariamente, crescimento da renda dos agentes deste setor, no caso, os agricultores. Que não vão bem.
-Outro bom indicador de que a o crescimento da renda é relativo e não contempla uniformemente o setor - uma economia por sí só bastante heterogênea - são os preços recebidos pelos produtores, que não evoluíram como os custos de produção, por exemplo. Poderiam ser citados outros referenciais como os demais itens da própria cesta básica.
-Os dados liberados esta semana, sobre a performance da cesta básica, confirmam o que comentamos: em 12 meses, a cesta registra alta de 2,63%. No Plano Real, o aumento é de 6,77%. Os dados são da pesquisa feita pelo Procon
(Coordenadoria de Proteção e Defesa do Consumidor) em convênio com o
Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos).
-Não deixam dúvida, portanto. Enquanto os preços dos alimentos de origem animal e vegetal - que refletem os valores recebidos pelos produtores -, praticamente não evoluíram (até ano passado alguns ítens até tiveram preços reduzidos durante o Plano Real), as tarifas do governo puxaram os índices aferidores da inflação, como o INPC (que é o oficial, do IBGE), o IPC (da FIPE/USP), o IGP-DI e o IPA (da Fundação Getúlio Vargas, FGV), o IVC (do Dieese). Quaisquer que sejam os índices, a ‘‘inflação agroalimentar’’, para usar os termos dos técnicos do IEA/SP, por eles apurada, será sempre a menor. E a evolução das tarifas do governo (energia, telefonia, combustíveis) será sempre a maior. Como em toda a história da inflação, os preços do governo puxam a para cima, já os preços agrícolas, quase invariavelmente, puxam para baixo.
-Vejamos o que aconteceu em maio, fechado ontem: o custo médio da cesta básica fechou o mês com alta de 0,82%. Em maio, os alimentos subiram 0,62%, puxados pela alta da cebola (20,33%) e do queijo mozarela (5,40%). Os produtos de limpeza tiveram aumento de 2,14%, levados pela alta de 5% do sabão em barra. Os produtos de higiene pessoal aumentaram 1%, puxados pela alta do creme dental (5,41%). Os preços comportados, mais uma vez, foram: arroz, feijão, derivados de farinha de trigo e milho, carnes (de boi, suínos e aves) e os hortigranjeiros imunes à sazonalidade.Lucro/milho
Do cerealista José Pitoli, de Cornélio Procópio, à ‘‘Agência Folha’’, ontem: É cedo para dizer que o milho deu prejuízo. O Estado produz, em média, 2.000 kg/ha. Algumas áreas do norte do Estado, menos castigadas pela seca, vão superar esse volume.
A lógica
Para Pitoli, o importante é produzir mais e obter preço razoável do que produzir pouco e vender a preço elevado, o que só ocorrerá após julho. Se a quebra do milho for de 40%, os preços vão ser bons, mas a renda será menor.
Renda
Se a produção ficar em 2.000 kg/ha neste inverno, a renda com o milho será de R$ 480,00/alqueire. Se a quebra for de 40%, mesmo com bons preços, os ganhos se limitam a R$ 380,00/alqueire, diz Pitoli.
Café NY
Após a explosão dos últimos dias, o café recuou 12,2% ontem em Nova York. A liberação de embarques privados para os EUA na Colômbia e a perspectiva de clima bom no Brasil derrubaram os preços.
Continua
O primeiro contrato futuro de café foi negociado ontem a 276,4 centavos de dólar por libra-peso em Nova York. Em relação ao preço de há um mês, o produto mantém alta de 15,6%.

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