Oswaldo Petrin
O mercado em recesso
A semana começa com pouca atividade comercial. A calmaria que antecede as viradas de ano deveria ter ocorrido já na semana passada, mas foi adiada por razões que convencem:
A) Na Bolsa de Chicago, os fundos de commodities que vinham especulando com a soja em função da seca na América do Sul, anteciparam sua realização de lucro diante da mudança de clima. Os preços cederam aquém do esperado e ficaram estáveis, porém na alta, instigando o mercado interno que vinha lento desde outubro,
B) Em Nova York, os preços do café não recuaram alternando fechamento em alta e com pequenas oscilações. O mercado, portanto, teve sobrevida de mais alguns dias. Os operadores de mercado aqui do Paraná acham que ainda não está na hora de relaxar, mas os negócios serão cada vez mais escassos daqui para frente. Isto não significa recuo de preços.
C) O milho não dá trégua. Um técnico do Ministério da Agricultura, Olegário Vilmondes, que participou de reunião com avicultores e suinocultores, dias atrás, em Curitiba, mostrou que não estava a fim de apagar incêndio e não falou o que o pessoal queria ouvir, para desacelerar a corrida atrás do baixo estoque que ainda existe. Foi franco avisando: 1) O governo não vai remover milho do Centro-Oese para os Estados do Sul, 2) Não vai importar milho, quem quiser que o faça, 3) Não vai aumentar as ofertas em leilão, com exceção às quantidades que vinham vendendo em doses homeopáticas nos leilões da Conab, via BB, 4) Ano que vem o governo trabalhará com baixo estoque, coerente com a decisão de equidistância.
D) Mas apesar desse quadro, tem hora que você precisa sair de cena e pagar para ver, conforme definição de um corretor, sexta-feira, na Sala de Agronegócios. Apesar das muitas variáveis interferindo no mercado - absolutamente atípico para a maioria dos produtos -, é quase certo que o ritmo de Natal está chegando e, com ele, um providencial arrefecimento do mercado, no dizer dos analistas das empresas de consultoria.
Mas ainda tem um evento a ser considerado. Se entrar mesmo em dormência agora, o mercado cafeeiro pode ser cutucado pelo relatório que a Embrapa vai anunciar no próximo dia 22, quarta-feira, sobre a safra 2000/01. A previsão a ser anunciada indicará 30 milhões de sacas, pode agitar alguns setores porque isto remete para sustentação de preços. Sobre este assunto, o boletim de sexta-feira de Safras & Mercado faz a seguinte colocação: O nervosismo e esta guerra de números devem perdurar, pelo menos internamente, até um pronunciamento oficial do governo.
LEITURA DINÂMICA
O Rio Grande do Sul quer reduzir sua dependência dos outros Estados em relação ao milho. Vai tentar produção em várzeas, fazendo alternância com a cultura de arroz.
-A meta é acrescentar 775 mil toneladas à safra gaúcha em quatro anos, que foi de 3,2 milhões de t em 98/99. Para a próxima colheita, a Conab está projetando uma produção de 4,1 milhões de t.
-Se os gaúchos plantam mais milho, os paulistas, amendoim. Especula-se que a Secretaria da Agricultura de SP tem pronto um projeto de incentivo ao aumendoim no Médio Paranapama, região de assentamentos, na divisa com o Paraná. Contempla arrendamentos de grandes áreas.
-Décio Gazzoni, pesquisador da Embrapa, citando Fernando Homem de Mello (USP):
A fuga de renda da agropecuária no governo FHC foi de R$ 15 bilhões. Daria para renovar 70% da frota de tratores e produzir centenas de milhares de empregos.
Universidade do Campo
O site da Universidade do Campo recebeu mais de 1.200 consultas, desde a sua implantação, três anos atrás. A Universidade do Campo é programa da Secretaria da Agricultura do Paraná que se propõe a disponibilizar informações e serviços de interesse do agronegócio.
Através do link Serviços Disponíveis, os interessados têm acesso à informações de produtos, serviços, notícias da agricultura e software agropecuário etc. Permite que o interessado entre em contato com especialistas cadastrados em cerca de 600 especialidades.
O site da Universidade do Campo está concorrendo ao prêmio IBest 2000, na categoria Serviços Públicos. A votação pode ser feita diretamente no site - www.pr.gov.br/ucampo através do selo IBest 2000 na primeira página. Cada pessoa pode votar apenas uma vez.
Conforme o líder do Programa, Antônio Carlos Rodrigues da Silva, a Universidade do Campo conta com participação de instituições públicas e privadas que geram informações e serviços agropecuários como Seab, Iapar, Ceasa, Claspar, Codapar, Emater, Universidades e várias empresas privadas.





