Oswaldo Petrin
Juros conservadores
O Comitê de Política Monetária (Copom), formado por diretores do Banco Central reúne-se hoje para tratar sobre alterações das taxas básicas de juros. Mesmo com os índices de inflação em queda, a aposta é de uma decisão cautelosa, do Banco Central, com a manutenção da taxa atual de 19% ao ano.
O Copom terá alguns desafios na sua reunião de hoje. O governo mantém sua política de redução dos juros e tem feito discursos em cima disso. Ao longo do ano derrubou as taxas de 45,5%, em janeiro, para atuais 19%.
Mas o mercado está apostando em outras variáveis. Teme, por exemplo, no recrudescimento da inflação, puxada por um maior volume de demanda nas duas últimas semanas de dezembro. E por isso deu uma leve puxada nos contratos de janeiro para 20,62% ao ano (contra 18,84% nos contratos anualizados de dezembro).
Considere-se aí que juros não podem ser altos em tempo de recessão, como no trimestre janeiro a março, como no trimestre janeiro a março.
O BC tem que apagar dois incêndios: a tendência do mercado elevar as taxas de juros, e a desconfiança quanto ao comportamento do dólar norte-americano. O mercado quer se precaver quanto ao risco de variações bruscas, caso o BC relute em ofertar dólares. Isto vai perdurar até o carnaval, quando se aposta na entrada de dolar da indústria do turismo. Até agora, atitudes do BC transmitem confiança. Relativa confiança. Ele interveio ofertando seus dólares e o mercado sossegou. A dúvida é saber se os bombeiros do BC estarão sempre atentos.
Demanda, ainda que seja por necessidades básicas, é algo que preocupa o governo, porque mexe com a inflação. Ontem, ministro da Agricultura, Pratini Moraes, tentou espantar a inflação no grito. Foi durante o anúncio da safra - um exercício de futurologia de dar inveja a Herman Kann (quem se lembra dele?). Pratini afirmou que os preços e as importações de produtos agrícolas não deverão aumentar no próximo ano por conta do crescimento da demanda no país. Mas não deixarão de ser feitas se for para controlar a inflação.
Para o bom entendedor Pratini ameaçou com importações. Esse pavor da inflação leva o governo, de novo a ferrar a agricultura, com importações precipitadas.
Segundo o ministro, não haverá problema no abastecimento de milho que
possam provocar aumento nos preços do produto. As duas safras de milho do período deverão somar 32,727 milhões de t, o que equivale a um
aumento de 1% em relação às duas anteriores.
LEITURA DINÂMICA
-Negócios com café e soja estão em ritmo lento. Compradores e vendedores já vivem clima de fim de ano. Não acontece nada (de expressivo) de hoje até meados de janerio.
-O preço da arroba do boi gordo caiu para R$ 38,00, pagamento em 20 dias, no Estado do Paraná. Havia um descompasso entre o preço da carne no atacado (R$ 37,00) e o preço do boi (R$ 39,00), segundo o Sindicato da Indústria de Carnes (Sindicarnes). Mas, ontem, o preço da carne caiu para R$ 36,00 e os frigoríficos abriram a compra de boi a R$ 38,00/arroba.
-O diretor-executivo do Sindicarnes, Péricles Salazar, acha que pode ocorrer uma desova de bois gordos nos próximos dias, podendo derrubar os preços da arroba.
-Para suínos os preços também estão começando a se adequar, prevê Salazar. O preço do suíno ontem posto indústria, em Curitiba, ficou em R$ 1,25/kg, incluindo frete e classificação de carcaça. A tendência agora é a estabilidade dos preços.
-O que o suíno tinha de aumentar, por conta de um maior consumo em dezembro, já aumentou.
DROPS
Pense milho Na hora de vender o milho, pense nisto: A safra de milho, que estava prevista em 33,3 milhões de toneladas, deve chegar a 32,7 milhões, conforme dados divulgados ontem pelo ministro da
Agricultura.
Importar? O governo fala em importar milho. Mas industriais e avicultores paulistas fizeram as contas e concluiram que, por enquanto, é inviável.
Mui amigo! O pior das importações é o que Pratini quer fazer: voltam os prazos de pagamento de um ano e (certamente) caem os juros. Do jeito que era antes e só mudou após uma batalha política.
Dia da caça Compradores de milho não devem comemorar. Amanhã o governo pode fazer o mesmo com outros produtos...





