Crédito, o fiel da balança
-Lançar projetos novos para nichos de mercados, já diagnosticados e mapeados. Diversificar com produtos ‘‘fora da linha de balanças’’. Assim, Balanças Açôres, de Cambé, terceira do Sul do País no ramo de balanças agropecuárias, pretende começar o novo ano.
-Anwar Hauly Jr, diretor comercial, cita entre essas mudanças uma possível parceria com empresa européia. Descarta hipótese de venda da indústria.
-Apesar do lançamento, no início do ano, de dois produtos que incorporam tecnologia de ponta - o Curral Móvel e o Tronco Móvel -, o ano de 1999 não foi bom. ‘‘O cliente avalia o equipamento, sabe distinguir o que é bom, chega a se deslumbrar com a eficácia. Mas, na hora de fechar negócios, acaba adiando a decisão para depois da virada do ano’’, afirma Anwar, para justificar o fraco movimento de vendas.
-Na verdade, um problema conjuntural que não é exclusivo das 41 marcas de balanças existentes no mercado. Fabricantes de equipamentos agropecuários em geral - secadores, trituradores, peças de reposição, etc - fecham o ano desapontados. Investimentos em tecnologia, mão-de-obra, lançamento de produtos e atendimento diferenciado ao cliente parecem não ter tido a necessária correspondência.
-Países vizinhos também não estão na sua melhor fase, com exceção do Chile, segundo Anwar Hauly. Mesmo com mudança cambial, houve retração nas encomendas de algumas linhas de produtos.
-No entanto, o que intriga o setor agroindustrial é mesmo a economia interna que não dá sinais de reversão. Na opinião de executivos dessas indústrias, a política do governo tirou todas as chances de liquidez do setor, ao impor sacrifícios a agricultura.
-Anwar chega a comparar este semestre com a pior época do governo Collor. Em março de 1990, Collor confiscou o dinheiro da população - agricultura e seus fornecedores estavam no meio. O povo foi tomado por uma sensação de pobreza geral e algumas pessoas se mataram, lembra. ‘‘Mas não poderíamos esperar que 9 anos depois o faturamento de uma empresa pudesse cair 50% em relação àqueles meses difíceis’’ - comenta.
-Cerealistas alegam o mesmo motivo para adiar as compras. O setor agora se preocupa com janeiro e fevereiro. Dezembro já está perdido por força de fatores ‘‘extra-mercado’’ como a tradição de adiar compras em período de celebrações. E este ano ainda há uma particularidade: concorrem a superstição e até o bug do Milênio, segundo Anwar.



Ilusão
Há uma sensação de que a alta dos preços do milho, soja e boi gordo, está injetando dinheiro no interior. É ilusório. A explosão de preços do boi e do milho ocorrem quanto os estoques desses produtos já saíram da porteira, observa Anwar.
Pulverizado
Nos últimos anos o mercado de balanças foi regionalizado. Três ou quatro marcas atuam em território nacional; as outras, de fundo de quintal, são regionais. Frete e diferencial de ICMS têm papel importante nos custos das empresas.
Enxuta
As indústrias também alegam que não tem mais como enxugar. No caso da Açôres, de 120 empregados no início do Plano Real, hoje permanece na empresa apenas 40. O desemprego no País está relacionado com a crise na agricultura.
Balança/safra
Se a recessão permeia desde o início do ano, no segundo semestre a situação se complicou porque a linha de balanças rodoviárias cujo forte das vendas ocorrida na safra, neste segundo semestre o atraso no plantio exerceu influência.
Sem oxigênio
É impossível tocar agricultura sem crédito; o governo insiste em não injetar dinheiro. Somados, os segmentos ligados a agricultura - todo agronegócio e agroindústria -, chegam a 57% do PIB, observam dirigentes agroindustriais.

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