-Desde o início do ciclo dos planos econômicos - destinados a controlar a inflação, conquistar e estabilidade e retomar o desenvolvimento - o que mais se cobrou dos governos foi o controle dos gastos públicos. O financiamento da dívida interna empurrou os governos para o mercado financeiro e motivou a alta dos juros criando o círculo vicioso da ciranda financeira. As empresas não buscavam eficiência porque o ganho maior estava em saber aplicar e não em produzir.
-Os planos não vingaram porque, entre outras razões, não foram sustentados por reformas fiscais e administrativas, enxugamento do gasto público, etc. Ou então porque foram abortados por injunções políticas, como a incursão do PMDB sobre o Plano Cruzado, de Funaro. Mas toda esta história o leitor está careca de saber. Afinal, a memória (inflacionária) não é tão curta.
-A novidade é que o Plano Real, com sobrevida de dar inveja aos anteriores, começa a apresentar os mesmos sintomas dos contornos abortivos que fulminaram os demais planos. O Real acumulando aprendizado dos fracassos das tentativas anteriores, se ambasou em premissas. Uma seria a redução do tamanho do Estado. Daí as privatizações e as decantadas reformas.
-Há uma indesejável semelhança. Sem reformas, os planos têm vida curta. A CNI, no boletim de conjuntura divulgado esta semana, pede mais empenho do governo para ajustar as contas públicas. Dentro do que fomos levados a aprender como fator de sustentação à estabilidade econômica, a CNI está absolutamente correta.
-De repente, o governo não consegue se safar de episódios políticos e não avança com as medidas que deveriam ancorar o Plano. Exemplo: a permanência de um déficit público elevado significa que o país está usando de forma ineficiente a poupança externa, utilizando-a para financiar excesso de gastos públicos, e não investimentos produtivos. A CNI faz esta leitura da atual fase do Plano.
-O que a CNI mostrou dias atrás foi isto: o déficit em conta corrente ficou em US$ 10,7 bilhões no primeiro quadrimestre do ano. No ano passado, nesse mesmo período, o déficit foi de US$ 5,1 bi. Nos últimos dois meses, governo adotou várias medidas para conter esse desequilíbrio. Em março, foram anunciadas medidas de contenção das importações financiadas. Depois, o governo interrompeu a queda das taxas de juros. Em maio, houve redução do IOF incidente sobre a entrada de capitais, na tentativa de atrair investimentos, e aumento do IOF (de 6% para 15% ao ano) incidente nas operações de crédito ao consumidor final.
-Mas são medidas sem consistência. Falta aprofundar no ajuste fiscal, por exemplo, entre tantas outras. Milho: alta

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