Previsões X mercado
-Ao contrário do que acontece em anos normais, quando o acompanhamento do plantio e andamento das safras é apenas trivial, com pouca repercussão no mercado, este ano cada revisão transparece rapidamente no comportamento dos preços. Acontece pelo menos nas commodities soja e milho.
-O último levantamento de ‘‘Safras & Mercados’’ para a nova safra brasileira de soja confirmou a mudança de perfil para a área cultivada. O Brasil deve encerrar o plantio com área estabilizada ou levemente superior a do ano anterior. São 13.130 mil hectares para a safra 1999/2000, estabilizado sobre os 13.128 mil ha plantados no ano anterior.
-Diversos foram os motivos que levaram a essa reversão de postura, já que a intenção de plantio sinalizou redução de área em 5%, mas sem dúvida o fator clima foi o mais forte deles. Isso porque as chuvas nos últimos três meses permanecem abaixo do normal em toda a região produtora e o quadro é de estiagem numa parte importante do Centro-Sul, complicando o plantio do milho e provocando a reversão de última hora de áreas para a soja.
-O problema é que as previsões de produção ainda permanecem confusas diante do atraso no plantio, da perda de potencial de rendimento em cima dessa estiagem e do menor uso de tecnologia nas lavouras. Por isso, embora ainda sem falar em perdas concretas, empresas de credibilidade como a Safras & Mercados trabalham com produtividade abaixo da capacidade normal. No caso, este recurso foi usado para chegar a uma safra de 31.270 mil toneladas, apenas 1% superior aos 30.870 mil toneladas da safra passada.
-Por falar em previsão de safras, terça-feira é dia do produtor brasileiro piorar um pouco o seu humor. É que o ministro da Agricultura, Pratini de Moraes, fará anúncio da previsão da safra 1999/2000.
-O ministro Pratini, tanto quanto seu antecessor, certamente vai anunciar números otimistas. O governo gosta de apresentar números otimistas, mesmo quando são apenas previsão. E os especuladores também gostam de ouvir números otimistas. Por um bom tempo os preços caem de forma generalizada. Reagem depois de saírem da porteira.
-Pratini fará o anúncio em almoço com jornalistas que vão estampar em manchetes a expectativa de uma colheita de grãos de 84,5 milhões de toneladas, acima, portanto, das 82,4 milhões de t da safra 1998/99. Se a seca não deixar, é outro problema. No momento o importante é anunciar aumento de produção e conseguir espaço na mídia.
-Confirmando-se este número, ele representará um aumento de 2,6% na produção e de 1,6% na área plantada, segundo estimativa do Ministério da Agricultura. A cultura de algodão deve ser a que apresentará maior crescimento de produção, cerca de 11,8% em relação ao colhido no ano passado.



Leitor
Sábado é dia do leitor se pronunciar. Sugestões e críticas são bem vindos via ‘‘fax’’, correio, e-mail. Ennio M. de Araújo, de Manoel Ribas: ‘‘Parabéns. Pelo menos vocês em Londrina cobraram uma previsão do clima, que não temos’’.
Leitor/clima
‘‘A falta de orientação está de matar. Muitos milhões não teriam sido jogados no pó, se alguém tivesse alertado sobre a seca em toda sua extensão. Agora já é tarde e graças a Deus já começa a chover (até o técnico do Simepar previu!).
Leitor/preços
Anacleto C. Alves, Paranavaí: ‘‘Com a divulgação dos ‘‘indicadores de preços’’ no atacado, seu jornal está dando parâmetro para o preço ao produtor e evitando distorções. Mesmo assim a diferença entre o mercado de lotes e o preço ao produtor continua grande.
Leitor/solúvel
Paulo Ribeiro, assessor da Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics): ‘‘A data da coletiva da ABICS será no dia 16 deste mês, quinta-feira, às 12 horas e não conforme foi divulgado. Coletiva será em São Paulo.
Solúvel 2
A entrevista será do empresário Sérgio Coimbra, presidente da Abics e diretor da Cia. Cacique de Café Solúvel. Além do balanço de 99, ele apresentará as projeções para o ano 2000. O desempenho deve ser um pouco melhor que o deste ano.

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