Oswaldo Petrin
Entre o oficial e o real
-Dois pronunciamentos distantes da realidade do campo neste momento. Pela manhã, o ministro Pratini de Moraes, no Bom Dia Brasil: informações que deixam entrever que tudo é está bom e é maravilhoso!. À tarde, o colega dele, Pedro Malan, falou na Câmara dos Deputados. Seu discurso ficou entre constatações óbvias (como a de que a agricultura ajudou a estabilidade) e duvidosas ou manipuladas, como a apresentação de dados de crescimento que não expressam as dificuldades do setor. Não são dados mentirosos, são verdadeiros, mas pinçados de médias, que falseiam a realidade no seu todo.
-Quem está comendo pó em cima de plantadeira, semeando com atraso, na incerteza ou na pura esperança, amargando prejuízo, certamente não tem estômago para ouvir o que os governantes têm a dizer.
-Incrível, como a imprensa levanta a bola para essas autoridades chutarem. E como chutam! Mudam o foco do problema e facilitam para que a realidade seja escamoteada.
-A menos que autorizem importar em profusão, a seca vai transparecer na inflação de maneira que não haverá maquilagem capaz de dissimular.
-Você ouve o ministro Pratini falar de manhã depois você assiste a uma reunião no Sindicato Rural de Londrina em que o pessoal cobra do governo o mínimo de orientação (na verdade são dicas) para reduzir os efeitos da seca. Você fica sem entender o que se passa no País eminentemente agrícola.
-Da fala de Malan, aproveitam-se os dados. A safra de 82,4 milhões de t de grãos colhidas no ano passado foi decisiva para reverter as expectativas inflacionárias previstas no início do ano por analistas.
-No ano passado o superávit da balança agrícola foi de US$ 13,9 bilhões. O ministro da Fazenda ressaltou que apesar da queda de 12% no valor das commodities no mercado internacional, nos primeiros dez meses deste ano, os produtores brasileiros conseguiram ampliar o volume exportado. Malan lembrou que houve um incremento de 42% nas exportações de açúcar, 34% no café, 27% em carne, 9% em óleo de soja.
-Para Malan, o PIB agrícola este ano deve fechar com crescimento positivo. Segundo ele, até o terceiro trimestre do ano o PIB agrícola já registrava uma taxa de crescimento de 6 1%. Malan reconheceu que os produtores têm enfrentado dificuldades no plantio da safra de verão 1999/2000 em consequência da alta dos preços de fertilizantes. Ainda assim, Malan lembrou que a queda no consumo desses produtos não será tão acentuada como havia sido previsto por analistas no início do ano. O ministro da Agricultura, Pratini de Moraes, que está acompanhando Malan na audiência pública, lembrou que a retração na venda de insumos no mercado brasileiro deve ficar restrita a 5% em relação ao ano passado.
Subsídio
A agricultura brasileira já recebeu cerca de R$ 7 bilhões em subsídios durante o governo FHC. Os números foram apresentados ontem pelo ministro da Fazenda, Pedro Malan, na Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados.
Dívidas
Nas contas do ministro, o custo das renegociações das dívidas dos agricultores chegou a R$ 2,6 bilhões. A isso, somou gastos de R$ 1,75 bi do Programa Especial de Saneamento (Pesa), refinanciamento das dívidas acima de R$ 200 mil.
Crescendo
Ponto positivo da Audiência Pública promovida ontem pelo Sindicato Rural de Londrina: debate faz crescer juntos agricultores e setor público. Muita cobrança evidenciando que produtor quer fazer valer seus direitos. Novos tempos.
Em queda
As principais commodities fecharam em baixa ontem. O café, embaixa no mercado internacional não teve compradores nem vendedores no Paraná. Faltou referencial de preços. Milho, soja e boi gordo recuaram ligeiramente.
Indicador
O valor à vista em reais do indicador do café Esalq/BM&F teve queda ontem de 6,86%, ficando em R$ 231,07 a saca. Em dólar, o preço caiu 7,22% e ficou em US$ 123,63/saca. A prazo, a cotação ficou em R$ 232,98/saca, queda de 6,86%.





