Oswaldo Petrin
-O PIB agrícola cresce 7,5% este ano (comparado aos 3% do ano passado). Pecuária puxou a média com 8,4%, seguida do preço da soja. O setor primário representa 12,2% do PIB nacional. A estatística do governo também acusa crescimento da renda do produtor. (Ver matéria principal da página).
-Pois bem, a estatística são médias e, mesmo com maquilagem, é impossível ter médias sem falsear a realidade desse ou daquele setor. A estatística é a referência de ganho (ou perda) capitalista mais equânime que existe. E o PIB, por sua vez, mede a riqueza sem distinguir os pontos bafejados por ela dos pontos de pobreza. Não é parâmetro para aferir a performance do campo.
-Não se pretende contestar os dados. A premissa é que a projeção está correta e o governo pode se ufanar e comemorar à vontade. Pela lógica de todas as teorias econômicas, o crescimento do PIB de um setor sugere crescimento de quem atua nele. No caso, da agricultura, seria o agricultor, certo?
-Errado. A realidade no caso do setor primário é bem outra. Cresce a renda da agricultura, mas não cresce, necessariamente, a renda do agricultor. Não pode estar crescendo quem peleja neste momento para renegociar a primeira parcela de uma dívida que já foi renegociada (securitizada). Com preços engessados (exceção da soja) e custo de produção variando mais que todos os outros indicadores, fica partilhar fatias desse bolo.
-Portanto, o fator PIB revela a riqueza do setor, não dos seus agentes, os produtores. De qualquer forma, para a economia é mais do que interessante este crescimento porque ele pulveriza, oxigena, outros tantos setores e subsetores. Na mesma notícia o governo fala do aumento na indústria fornecedora de insumos (fertilizantes) e na indústria de base, de bens de capital, representada no caso pelos equipamentos e tratores. Portanto, em termos macroeconômicos é um avanço, sem dúvida.
-As exportações são um exemplo desse crescimento. Elas deverão crescer US$ 2 bilhões este ano em relação ao ano passado. O aumento da produção, aliado ao crescimento dos preços no mercado internacional, elevarão a renda agrícola em 11% neste ano, um resultado quase tão bom quanto o de 1996, quando o crescimento foi de 12%. Os dados mostram que a agricultura voltou à normalidade, após a crise de 95, recuperando-se tanto em produção quanto em renda.
-O otimismo aparece na venda de fertilizantes, que cresceu 16,9% nos primeiros quatro meses do ano. E também na produção de máquinas para o setor agrícola, que cresceu 29% nos três primeiros meses do ano, em comparação com o mesmo período em 96, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Frango





