Oswaldo Petrin
Os planos da Hy-Line
-A Hy-line do Brasil está apostando no Paraná, como produtor de ovos, e já prepara alguns investimentos por aqui, em transferência de tecnologia e mercado. O Paraná está incluído no esforço da empresa de expandir a avicultura de postura e o consumo de ovos.
-O Brasil produz anualmente 14 bilhões 768 milhões de ovos, para um consumo per capita de 89 unidades por habitante, um dos índices mais baixos, embora trate-se de um alimento consistente e barato.
-A Hy-line do Brasil tem o compromisso de colaborar na tarefa de difundir ainda mais a importância do ovo na alimentação por seu alto valor nutricional e pelo preço acessível, afirma Rogério Belzer, gerente-geral do projeto de implantação da empresa no Brasil.
-A empresa pertence à norte-americana Hy-Line International, líder no mercado mundial em genética de matrizes de aves de postura. Está investindo R$ 25 milhões na implantação do complexo de granja de recria e produção de matrizes e incubatório em Nova Granada, interior de São Paulo. A previsão é de que os primeiros lotes estejam no mercado nacional no segundo semestre do próximo ano, quando a empresa alcançará a produção de 2 milhões de pintainhas por mês. Presente em 30% do mercado de aves de postura, a empresa quer ampliar sua participação para 40% nessa primeira etapa.
-A matriz norte-americana tem o domínio da tecnologia de seleção genética para reprodutoras leves. Com o processo de identificação do código genético são selecionadas com precisão as famílias de características superiores, produzindo as melhores poedeiras. Presente em 110 países, a Hy-Line International ocupa 21% do mercado mundial, sendo considerada a maior empresa de genética avícola do mundo, oferecendo mais de 400 milhões de pintainhas por ano.
-Fundada nos Estados Unidos em 1936, a Hy-Line domina a tecnologia da excelência genética, através de pesquisa no conhecimento do código genético. A combinação da impressão digital do DNA com técnicas de hibridização resulta numa produção seletiva de aves com características superiores.
-Segundo Belzer, hoje os avicultores estão investindo na automatização do processo produtivo e a tecnologia oferece aves de linhagem pura, mais adaptadas à automatização, oferecendo até 25% a mais em densidade por metro quadrado. Estamos utilizando equipamentos de primeira linha para garantir um plantel sadio, livre de qualquer contaminação, garantindo qualidade em poedeiras comerciais. A fábrica que está sendo implantada no Brasil terá 14 módulos que irão abrigar as matrizes, o prédio de bio-segurança e a câmara de estocagem de ovos para incubação. Os galpões são 100% slat, um sistema de estrado que eleva as aves do solo, com sistema de refrigeração por pad cooler e coleta automática de ovos.
Seattle/fiasco
A 3ª. Conferência Ministerial da OMC terminou na noite de sexta-feira (madrugada de sábado no Brasil) em total impasse, o que forçou o adiamento da Rodada do Milênio - o novo e abrangente ciclo de negociações comerciais.
Intransigência
Responsável pelo fracasso não foram as manifestações de ONGs contra a OMC, mas a intransigência dos países ricos. Querem entrada franca no mercado dos outros países, mas não cedem um só ponto no seu protecionismo.
Mérito
Para líderes rurais e técnicos em mercado externo, essa defesa é meritória. Eles defendem sua produção, como assunto de segurança nacional. Só o Brasil jogou seus produtores para as cobras ao abrir suas fronteiras.
Desculpa
A desculpa para não negociar protecionismo é o uso de mão-de-obra infantil no campo e nas fábricas brasileiras. Mas isso não passa de desculpa. É como as barreiras sanitárias. Aumentam conforme interesse comercial.
EUA/UE
Para Charlene Barshefsky, representante do Comércio Exterior dos EUA, o que determinou o fracasso foi a falta de vontade da OEA. Não houve interesse em negociar. Mas o bloco dos países pobres diria quase o mesmo sobre a postura dos EUA.





