Oswaldo Petrin
A inflação sem razão
-O comportamento da inflação em novembro, cujos dados a imprensa divulga hoje, tem um papel interessante como aferidor/sinalizador do comportamento em dezembro. Mas qualquer leigo pode antecipar que nada será explosivo. Primeiro porque os dados que transparecem nas estatísticas oficiais não captam a inflação real e periférica, aquela que afeta, de fato, o consumidor comum. Segundo porque o governo cumpriu uma velha prática: segurar os preços pelo estômago (dos outros). Para isto tem à sua disposição o instrumento monetário representado pelas taxas de juros e baixa liquidez no consumo.
-Se algum técnico do Ministério da Fazenda se manifestar preocupado ou aliviado com o que a evolução dos preços prenuncia para o mês de consumo mais exacerbado, dezembro, saibam que ele está fazendo tipo. Embora, convenhamos, não seria a primeira vez que a economia tivesse de enfrentar inflação com recessão. No caso do Brasil elas não são, necessariamente, excludentes.
-Aliás, em termos de inflação (no país sem demanda de bens duráveis e do subconsumo de bens não-duráveis), o governo tem mais é que dominar o seu próprio dragão. Afinal, quem puxou os preços?
-Basta observar cada grupo de agentes que compõem a planilha do Dieese. Não fossem os preços públicos e os oligopolizados - medicamentos e planos de saúde, nos quais a concorrência é incipiente -, a inflação deste ano teria ficado em apenas 3,65%. É que os chamados preços concorrenciais (alimentos, roupas, etc) cresceram este ano apenas 4,9% (contribuição de 3,65 ponto percentual no índice total), enquanto aos preços públicos aumentaram 20,72% (contribuição de 3,69 pontos percentuais) e os aligopolizados 17,21% (contribuição de 1,37 ponto na taxa total).
-Por conta disso, o consumidor vai ter que aguentar dirigentes de setores cartelizados como o cimento (que explodiu este mês) posar de mocinho e debitar a inflação aos preços públicos. Até as carnes, que têm abusado das remarcações (30% ao ano, a bovina), serão poupadas.
-Por que? Porque a julgar pelos dados do Dieese, os preços direta ou indiretamente administrados pelo governo - como os de combustíveis e tarifas - e os de alimentos foram os que mais contribuíram para a inflação de novembro. O grupo de transportes teve alta de 4,7% por conta do reajuste de 35,21% no preço do álcool no mês passado e de 4,77% no preço da gasolina. No ano, a gasolina já subiu 50,40%, o álcool 42,25% e o diesel 46,57%.
Esses aumentos de combustíveis, que não param de ocorrer há meses, deverão influenciar muito o custo de vida de janeiro, quando se discutem aumentos de passagens em transportes públicos. Fonte: Dieese, na praça de São Paulo. Mas poderia ser aí no seu município.
Leitor/IVA
Sábado é dia do leitor se manifestar (carta, e-mail, fax ou telefone). Nélio C. A. Alcanha, Cambará: A Folha está nos devendo informações sobre o futuro IVA - Imposto sobre Vendas no Varejo. Como será a mordida na agricultura?
Leitor/água
Irio G.S. Shinaider, Cascavel: Não há como negar que a Folha, por essa coluna, teve participação na campanha para que o projeto de lei da cobrança de taxa dágua no meio rural tivesse um final feliz. Houve bom-senso dos polítcos.
Leitor/dumping/boi
A propósito da nossa coluna Dumping derruba o boi, de 26/11/99, recebemos manifestações contrárias da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), assinada pelo seu diretor executivo sr. Alberto A. Lyra Jr.
Leitor/dumping 2
Sobre o mesmo assunto - dumping derruba o boi-, recebemos carta de esclarecimento também do sr Péricles P. Salazar, diretor-executivo do Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados do Estado do Paraná (Sindicarnes).
Leitor/dumping 3
Além das críticas à notícia sobre dumping, o Sindicarnes acrescenta que a estimativa é de que haverá nos próximos meses um enorme volume de gado a ser desovado que provocará redução dos preços do boi gordo.
(Dados da Abiec serão divulgados oportunamente).





