O álcool na mira da ANP
-O diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP), David Zylbersztajn,
defendeu ontem a necessidade de mudanças estruturais ‘‘completas’’ no setor do álcool para evitar quedas ou aumentos excessivos de preços. Ele disse que está faltando uma ‘‘equação’’ de compromissos entre o setor e o governo para que o segmento não continue sendo visto como oportunista.
-A sugestão de Zylbersztajn - feita em meio à muitas críticas ao setor sucroalcooleiro - coincide com a divulgação de um número que a sociedade desconhecia. É que o governo subsidiou os preços dos combustíveis em pelo menos R$ 60 milhões em novembro. Os dados foram fornecidos à imprensa pelo secretário de Acompanhamento Econômico do Ministério da Indústria e Comércio, Cláudio Consídera.
-David Zylbersztajn também alertou que o setor alcooleiro está perdendo oportunidade de ‘‘recuperar sua credibilidade’’, ao promover reajustes ‘‘injustificáveis’’ do preço do álcool. O diretor lembrou que a indústria automobilística prepara-se para produzir carros populares a álcool e este seria um bom momento para a estruturação do setor. Zylbersztajn defendeu uma maior organização do mercado de venda do produto.
-Como ocorrem os subsídios? Os R$ 60 milhões de subsídios representam o saldo negativo do mês da PPE (Parcela de Preço Específica). Ela é a diferença entre o preço de remuneração da Petrobras pela venda dos combustíveis às distribuidoras e o valor efetivamente pago pelas distribuidoras.
-A PPE fica negativa quando o valor recebido pela Petrobras é maior que o pago pelas distribuidoras. Quando o valor recebido pela estatal é menor, a PPE se transforma em uma espécie de imposto móvel. No começo do ano o governo pretendia arrecadar R$ 4,95 bilhões com ela. Embora o resultado de novembro tenha sido negativo, Considera disse que no acumulado do ano a PPE está positiva em R$ 1,4 bilhão.
-O governo vem usando o que arrecada com ela para pagar sua dívida com a Petrobras remanescente da época em que a empresa bancava os subsídios. No final de setembro, o governo ainda devia à Petrobras cerca de R$ 2 bilhões. O pagamento total dessa conta é uma das condições necessárias ao cumprimento da lei que prevê a liberação total dos preços dos combustíveis a partir de agosto do próximo ano.
-A intenção do governo é tornar os preços dos combustíveis alinhados com o preço internacional do petróleo e acabar com o subsídio. Mas ressalvou que isso poderá ser adiado se no começo do ano não acontecerem duas coisas esperadas pela equipe econômica: uma valorização do real para algo em torno de R$ 1,80 por um dólar norte-americano; e a queda do preço do petróleo no mercado. (Da assessoria, arquivo e Agências Folha e Estado)



Seca/Chicago
O clima no Brasil já exerce influência sobre o mercado da soja através da Bolsa de Chicago. O gerente de comercialização da Valcoop, Ermelino Nogueira, em entrevista a este jornal diz que as perdas no milho são irreversíveis.
Abastecimento
Nogueira acha que o milho terá novas altas e considera inviável a importação. Mas os reflexos maiores, inclusive no caso da soja, devem ocorrer no próximo ano. Esta também é a opinião de analistas de consultorias independentes.
Quebra à vista?
A estiagem está sendo severa, generalizada e prolongada, o que é
preocupante, diz o cerealista José Pitoli, de Cornélio Procópio à Agência Folha. Diante desse quadro, acredita que as projeções de uma safra recorde estão ameaçadas.
Soja
O indicador de Preços da Soja, em lotes, Esalq/BM&F ficou ontem em R$ 20,56/saca (+0,93%). Em dólar, US$ 10,69/saca (+0,85%). O Indicador é calculado pela Esalq com base nos preços praticados no mercado disponível em cinco praças do Paraná.
Milho/alta
O indicador de milho, calculado pela FGV/BM&F, ficou em R$ 14,54/saca (+0,07%). Em dólar, US$ 7,56/saca (estável). O valor a prazo ficou em R$ 15,00/saca (+2,07%). Veja abaixo preços pagos ao produtor do Paraná.

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