Oswaldo Petrin
Política automotiva
-A imprensa mundial tem dado mais espaço aos protestos do que ao conteúdo da 3ª. Conferência Ministerial OMC, em Seattle. Mas as notícias não são boas, a julgar pela manchete desta página, de autoria do enviado da Agência Folha, Clóvis Rossi.
-Problemas de subsídios à parte, uma proposta da UE apresentada ontem permite legalizar a política automotiva brasileira. Trata-se da sugestão para que seja prorrogado o prazo de vigência de regimes especiais de investimentos, que vence dia 31 de dezembro. O único regime especial de investimento hoje em vigor no Brasil é exatamente a política para veículos.
-O prazo original para o registro de tais políticas na OMC (1994) foi
perdido pelo Brasil pela simples e boa razão de que não havia, à época,
uma política automotiva própria.
-O país foi obrigado, por isso, a pegar uma carona na política argentina
para poder montar as suas próprias regras para o setor. Criou-se, então, o regime automotivo comum para o Mercosul, mas também este vence dia 31 de dezembro.
-O Brasil alegou, na ocasião, que, como forma parte de uma união aduaneira com a Argentina (o Mercosul), não poderia ter uma política diferente da do parceiro.
-Com base nessa política, o Brasil favoreceu as montadoras já instaladas, impondo uma barreira para importações das demais na altura de 70% (hoje, reduzidos à metade exatamente).
-Para que montadoras que não estavam instaladas no Brasil, especialmente
coreanas e japonesas, pudessem exportar sem pagar as tarifas elevadas,
criou cotas limitadas. Qualquer exportação acima das cotas paga, hoje, os 35%.
Ocorre que a Argentina já anunciou publicamente a intenção de pedir à OMC uma prorrogação para os incentivos que ela própria dá ao setor automotivo. Se o pedido fosse aprovado, o Brasil não teria idêntico direito, porque
não registrou a sua política.
-Mas, se vingar a proposta de extensão de prazos para subsídios, feita pela União Européia, o Brasil ganha prazo para registrar a sua própria
política.
-Poderia até mantê-la até 31 de dezembro de 2001, sempre se for aprovada a proposta européia tal como está.
-A nova situação muda o jogo com a Argentina em torno de um novo regime
comum, igualmente provisório (até 2004). Sem o aval da OMC, a posição
brasileira se enfraquece diante dos argentinos.
Seca/fim
A seca está perto do fim. O Serviço de Meteorologia do Paraná prevê um dezembro com chuvas mais frequentes, aproximando-se dos índices normais do período. Informação é do próprio Simepar, ontem, à repórter Vânia Casado.
Severa
Não há registro de seca tão severa nos últimos anos. Seca igual ocorreu em 1981, segundo a memória dos agricultores. Em 84 também houve um período seco, mas não com essa intensidade. Ventos mantêm o solo sem chance de plantio.
Médias
No Paraná, índices pluviométricos médios para o mês de dezembro variam de 175 a 200 milímetros nas regiões Norte, Oeste e Sudoeste. Nas regiões de Curitiba e Sul, o índice varia de 175 a 200 milímetros.
Safra
Mesmo chovendo normalmente a partir deste mês, a safra nunca mais será a mesma exceto para a soja, mesmo assim o atraso vai retardar o plantio da safrinha de milho. A safrinha será supervalorizada face à escassez do milho.
Impacto
Dieese admite impacto da frustração da safra sobre os preços da cesta básica a partir de março. Governo reluta mas vai ter que rever a previsão de produção da safra 1999/2000, admitiu ontem uma fonte do Ministério da Agricultura.





