Oswaldo Petrin
Seattle: UE não transige
-Prognóstico das conclusões da reunião da Rodada do Milênio da Organização Mundial do Comércio (OMC), esta semana, em Seattle (EUA), não é nada confortável para a missão brasileira e demais países do Grupo de Cairns, que defendem proposta de abertura comercial, ou tratamento equânime dos expedientes protecionistas.
-Semanas atrás, durante reunião preparatória em Salvador (BA), alguém passou para esta coluna cópia de mensagem enviada por e-mail ao ministro da Agricultura. A sugestão era para Pratini de Morais, fincar os pés no chão e, em vez de ficar lastimando o protecionismo dos outros países, que o Brasil adote medidas de proteção à nossa agricultura. Os outros países é que estão certos em proteger sua produção, coisa que não sabemos fazer...
-Pois é, ontem o chefe da delegação da União Européia (UE), o ministro francês Pascal Lamy, falou praticamente o que era esperado pelos mais pessimistas: não há muito o que negociar, quando o assunto é subsídio agrícola. A certa altura afirmou: A União Européia está fazendo exatamente o combinado no final da Rodada Uruguai, há cinco anos, e planeja continuar nesse caminho, referindo-se às medidas de proteção comercial.
-O recado pode ser interpretado da seguinte forma: subsídios ou compensações, cada um faz como pode e como quer, dentro de regras internacionais, no caso, dentro do que fora discutido na Rodada Uruguai. Porque a UE não transige.
-Ontem as agências de notícias deram destaque à posição de Lamy de levar em conta fatores ecológicos (agroecológicos), segurança do consumidor e defesa da renda dos camponeses. Em nenhum momento, porém, ele proferiu a palavra transgênicos, dentro do universo de restrições.
-Lamy deixou entrever a posição favorável do seu grupo à idéia da multifuncionalidade da agricultura, conceito rejeitado pelos negociadores brasileiros e por outros do Grupo de Cairns.
-Tudo o que a UE pensa, e foi expressado ontem através do chefe da delegação, vai contra a posição do Grupo de Cairns. Esse grupo, fundado na Austrália durante a última grande negociação comercial, defende uma abertura ampla dos mercados de produtos agrícolas, ainda muito protegidos no mundo rico. Segundo sua proposta, as mesmas regras deveriam valer para os produtos agrícolas e para os demais, no comércio internacional. Isso restringiria severamente o uso de barreiras e de subsídios.
-A pergunta que se faz, antes de qualquer conclusão, é o que acontecerá com o mercado com o recrudescimento de posições como as da UE. Absolutamente nada, de imediato. Um a um os itens de exportação do Brasil, nos próximos meses sofrerão influência direta das condições de clima. Depois é pagar para ver.
Café/leilão
O leilão de café dos estoques do Ministério da Indústria e do Comércio, realizado ontem, através das bolsas, vendeu todas as 248.238 sacas ofertadas, ao preço médio nacional de R$ 155,85/saca. Lotes são dos tipos 6 e 6/7.
Mercado
O leilão, considerado inoportuno pelo mercado, não chegou a prejudicar os preços regionais que se espelharam mais na alta da Bolsa de NY. Cafés bebendo duro foram negociados entre R$ 205 e R$ 210/saca; sem descrição de bebida, R$ 175,00.
R$ 224,00
Cafés finos de SP e Minas chegaram a médias altíssimas de R$ 223,00 a R$ 224,00, com negócios encostando nos R$ 230,00/saca. O preço médio praticado ontem representou alta de 5,43% em relação ao de sexta-feira.
Milho/alta
O indicador de milho no atacado, calculado pela FGV/BM&F, ficou, ontem, em R$ 14,53/saca de 60 kg (-0,68%). Em dólar, US$ 7,55/saca (-0,33%. O valor a prazo ficou em R$ 14,50/saca (2,33%). O mercado no interior continua indicando alta.
Boi SP R$ 40,26
O valor à vista em reais do indicador do boi gordo Esalq/BM&F caiu 0,02% para R$ 40,26/arroba. Em dólar, o preço subiu 0,19%, para US$ 20,95/arroba. A prazo, a cotação ficou em R$ 40,82/arroba (-0,54%). Veja também preço no Paraná.





