Juros providenciais
-O Banco Central quer saber o que acontece com os juros do cartão de crédito; quer clarear as razões pelas quais as taxas continuam altas.
-Mas, antes que o diagnóstico sugira qualquer medida para redução dos juros, vale lembrar que todo e qualquer remédio será inócuo, pois a queda dos juros - na faixa de consumo -, não interessa, pelo menos neste momento, para as metas de estabilidade econômica do governo.
-Seguinte: o governo trata, neste momento, de neutralizar um complicômetro no seu esforço de conter a inflação. É a iminente frustração de safra agrícola. A grande preocupação hoje é ter que passar por um trimestre recessivo e ao mesmo tempo inflacionário. As duas variáveis não são necessariamente conflitantes, em se tratando de um começo de ano difícil, já configurado por causa da seca.
-O governo é useiro e vezeiro dos instrumentos de política monetária - entenda-se taxas de juros - para segurar a inflação. Inibe a demanda agregada de bens em geral, duráveis ou não duráveis, e com isso controla preços. Reprimindo a demanda. O que para os consumidores é ‘‘satisfazer necessidades essenciais’’, para os técnicos do ministério da Fazenda, é ‘‘gastança’’.
-Se com oferta abundante de alimentos baratos, a inflação está presa como se fosse uma mola espiral (quando tira o peso, ela salta alto), imagine-se, então, o aumento da demanda com redução da oferta. Para que este quadro se confirme bastam mais 15 ou 20 dias sem chuva.
-Portanto, não interessa aos gestores da política econômica aumentar as facilidades de consumo. Aliás, não será surpresa se o governo investir contra os prazos generosos que o mercado de eletroeletrônicos está oferecendo, na necessidade de vender.
-Enfim, os juros praticados pelos cartões de crédito, considerados elevados pelo mercado, podem ser absurdos para o consumidor. Mas providencial para o governo.
-Há setores do governo que preferem achar que os focos da inflação são pontuais e estão caindo um a um. Aconteceu com a carne que chegou a R$ 44,00/arroba e hoje já está em R$ 40,00. Só que os técnicos se esquecem que os frigoríficos ou a rede de varejo, ou ambos, não estão repassando o diferencial da queda de preço para o consumidor. Citam o álcool cujo preço está cedendo. Mas precisam levar em conta que já fez o estrago que tinha de fazer na cadeia de alimentos em geral. Isto apenas para ficar no essencial, a cesta básica.
-Tudo vai ficar claro na reunião do Copom - o colegiado que trata dos juros dentro do Banco Central -, na primeira quinzena de dezembro
-Guardadas as proporções, a busca da queda dos juros é como a história da reforma tributária: o governo quer, mas o governo não deixa.



Expectativa
A semana começa prometendo recuperar o mercado, parado por conta dos dois dias sem referencial face aos feriados de quinta e sexta-feiras em Nova York em que a bolsa não atuou. Há expectativa em torno do mercado nesta segunda.
Ecassez
Conforme relatório da Green Coffee Association, a posição relativa aos estoques consolidados de café verde nos EUA caiu para 2,71 milhões de sacas de café em 30 de outubro, sou seja, uma redução de 111 mil sacas.
Consumo
Isto exerce pouca influência no mercado consumidor americano mas dá margem a especulações. Além disso, se trata de um mercado importante, o mais importante. Resta observar como os fundos de commodities vão administrar esses dados.
Sem embarque
Porém, a redução indica que há dois meses os embarques para o maior mercado consumidor não têm sido suficientes para atender à demanda norte-americana. Esta também é a interpretação dada pela BM&F, na última sexta-feira.
Milho
Há expectativa também para o milho. A avidez da importação é menor em função dos preços que não compensa, apesar da escassez do produto. Com isso, é possível alta de preço na disputa por estoques que ainda permanecem no interior.

mockup