Oswaldo Petrin
Indústria da Noite Feliz
-A decoração de Natal dos shoppings centers move uma indústria de R$ 18 milhões que emprega profissionais especializados e pessoal de apoio, além dos empregos indiretos nas empresas fornecedoras de equipamentos e enfeites. Fora dos centers, estima-se que o setor movimenta cerca de R$ 15 milhões.
-A empresa Cipolatti & Cipolatti, que decora este ano três shoppings do Paraná - Shopping Curitiba, da capital; Mercadorama, de Maringá e Catuaí, de Londrina -, com temas diferentes, está preparando aproximadamente 100 shoppings centers, inclusive na Argentina, Uruguai e Chile.
-O comércio investe alto, enche os olhos do público, encanta as crianças e emociona qualquer vivente. Mas para isso, empresas do setor passam o ano planejando o design de cada um e premoldando estruturas. Isso resulta num mercado promissor que, como se vê, ganha espaço no Mercosul. Talento (muito!) e tecnologia (nem tanto) brasileiros.
-Por trás de projetos personalizados como o da imponente árvore de Natal com bolas azuis do Mercadorama, de Maringá; do Castelo de Cristal, do Catuaí, ou da turma da Disney, do Shopping Curitiba, há o emprego de uma gama de material sofisticado ou rústico que aquece a demanda de tintas ou papéis especiais, por exemplo.
-Empresas especializadas se dedicam à criação e elaboração de projetos, venda ou locação de materiais e equipamentos e prestação de serviços de montagem, instalação, desmontagem e assistência técnica.
-A Cipolatti & Cipolatti, que lidera esse mercado, investe anualmente mais de 1 milhão em novos produtos e equipamentos. As decorações, embora tenham tema central bem definido, apresentam inovações. A Cipolatti, por exemplo, contrata técnicos para análise da segurança de todo o material utilizado na decoração.
-Na previsão da empresa, o emprego de materiais, este ano está assim: 20 milhões de micro-lâmpadas, 150 quilômetros de fitas, 70 quilômetros de festão, uma tonelada de pregos, 100 t de ferro e madeira, uma t de cola, 200 quilômetros de cabos elétricos, 300 mil poinsetias (bico de papagaio).
-O espetáculo permanece por duas ou três semanas antes e uma semana depois do Natal. Mas a indústria da decoração atua o ano inteiro. Em janeiro, após desmontagem, começa o show room e as vendas para o próximo Natal. De fevereiro a junho, cada shopping escolhe a decoração que vai exibir daí a 11 meses. Em julho, a produção está a todo vapor. Na terceira semana de outubro até novembro, começa a montagem nos locais. Em dezembro é feita a manutenção.
Noites felizes.
Empresária Noel
Conceição Cipolatti está à frente de uma família tradicional no setor de decoração natalina no Brasil. Há 20 anos a empresária descendente de italianos dedicava-se exclusivamente aos concertos de piano, em ocasiões especiais.
Talento
Hoje, como diz a sua assessora, rege uma orquestra que conta com 900 pessoas. Com o mesmo talento e sensibilidade artística, fez da Cipolatti a responsável pela maioria das decorações nos shopping centers de todo o Páis.
Jingle Bells
Levanto todas as manhãs cantando Jingle Bells e durmo cantando Noite Feliz, brinca Conceição, que toca a empresa com seus quatro filhos, transformando fantasias e sonhos em boa fonte de lucro e benefícios sociais.
O mercado
Os shoppings apostam nas decorações como atrativo para aumentar seu movimento de vendas. Por isso é preciso fazer o melhor. O mercado é um mercado garantido pela sua especificidade, mas não é menos competitivo. Logo, cada empresa procura bilhar mais.
Investimento
A Associação Brasileira das Administradoras de Shoppings Centers, admite um crescimento de 16% este ano nos investimentos em decorações natalinas. Mas não faz associação com a virada do século. Ano que vem sim, crescimento poderá ser maior.





