Estrangeiros vêm aí
-As transações em bolsa são pouco representativas no Brasil, onde o mercado de commodities agrícolas não têm tradição no mercado a termo. As próprias bolsas, ao longo do tempo, não se preocuparam em conquistar e estruturar esse mercado. Mas, na medida em que o governo saiu da área de financiamento, a única fonte de captar recursos para custeio e comercialização (para investimento ainda tem a tímida linha Finame) foi o mercado, pela antecipação das vendas. O canal são as bolsas.
-Importante: a alavancagem da bolsa pode ser o atrativo do capital estrangeiro. Depois de muitas discussões, os estrangeiros estão chegando. Começam a ser negociados na BM&F, no dia 8 de dezembro os contratos futuros agropecuários com participação autorizada também para os investidores estrangeiros.
-A participação estrangeira pode dar um novo alento ao setor agropecuário, que já vem aumentando na BM&F.
-Os investidores estrangeiros poderão operar em todos os contratos agrícolas que a BM&F tem atualmente: açúcar, algodão, boi gordo, café, milho e soja. O mercado acredita, no entanto, que os mais procurados serão os de café, açúcar e algodão.
-Os negócios efetuados pelos estrangeiros serão feitos em dólares, por meio de uma conta da BM&F aberta em uma agência do Citibank em Nova York. Para os residentes no Brasil, os negócios serão feitos em reais, com base na
taxa de câmbio referencial da BM&F, conforme a Agência Folha.
Café/leilão Nesta segunda-feira, às 10 horas, haverá leilão de café do Ministério da Indústria e do Comércio. Serão ofertadas 249.238 sacas (122.500 sacas do Paraná). São cafés das safras de 1986 a 1989, dos tipos 6, /7 e 7.
-A soja voltou a ser negociada em baixa na Bolsa de Chicago. O primeiro
contrato recuou para 463,25 centavos de dólar por bushel. As chuvas no Brasil foram um dos motivos da queda.
Mercado A disputa entre frigoríficos e pecuaristas está se acirrando novamente. A prática de dumping não foi contestada ontem pelos frigoríficos paulistas, principais acusados. E ontem o mercado de boi teve poucos negócios. Os pecuaristas não estão interessados nos preços pagos pelos frigoríficos, que chegaram a negociar o quilo do dianteiro avulso em até R$ 1,75. Já o quilo do traseiro avulso está entre R$ 2,95 e R$ 3,00.
-No silêncio, os pecuaristas estão tratando de segurar o boi, uma técnica que sempre deu certo, mesmo fora da entressafra. Acima, nesta página, o leitor tem os preços praticados em São Paulo, sempre um referencial para as demais regiões. Nos quadros, os preços pagos no Paraná, estáveis.



Leitor/FHC
Sábado é dia do leitor sugerir, criticar e desabafar (por telefone ou carta via fax ou e-mail). Victor H. A. Aceolli, de Cascavel e Lício A. C. Morgão, de Ivaiporã, abordam as contradições do episódio da invasão da fazenda de FHC:
Leitor/invasão
‘‘Inofensivos sem-terra foram ameaçados por tanques do Exército, antes mesmo de entrar na fazenda de FHC, em Minas Gerais. O ato teria sentido mais político do que algo consequente. O grupo só queria chamar atenção...
Leitor/surpresa
‘‘Porém, enquanto isso, no Paraná, invasores armados tomam nossas propriedades de assalto, agridem nossos empregados, comem gado de reprodução e destroem plantações e patrimônio construído através de duas ou três gerações...
Leitor/jagunços
‘‘Tudo isso, sem que tenhamos o menor apoio. E, se para defender sua propriedade, o fazendeiro contratar seguranças, logo dizem que ele tem jagunços. Mas, pelo menos um fazendeiro, tem proteção neste País, é o sr. Fernando Henrique.
Políticos ‘‘sinceros’’
‘‘E o presidente do Incra (órgão que define parâmetros para considerar nossas propriedades quase sempre improdutivas sugerindo invasões e desapropriações) virou onça quando o MST se aproximou da Fazenda Córrego da Ponte. Políticos sinceros’’.

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