Oswaldo Petrin
Dumping derruba o boi
-Frigoríficos exportadores fazem manobra no sentido de derrubar os preços do boi. Eles vêm atuando no mercado de maneira coordenada para forçar uma queda nos preços da arroba, prejudicando produtores sem repassar o diferencial da queda aos consumidores.
-Em telefonema a esta coluna, o coordenador do Fórum Nacional Permanente da Pecuária de Corte da (CNA), Antenor Nogueira, fez um apelo aos pecuaristas do Paraná, Mato Grosso do Sul e São Paulo: Procurem reter o boi; vendam estritamente o necessário, evitem servir de joguete. É possível resistir.
-Segundo ele, frigoríficos estão passando para o mercado a informação mentirosa de que as exportações estão em queda e é preciso vender o produto no mercado nacional.
-A atuação dos frigoríficos pode ser classificada como prática desleal de comércio, pois existe a tentativa de baixar artificialmente os preços no mercado doméstico, prejudicando tanto os pecuaristas quanto os frigoríficos não exportadores que, nesta manobra, estão sendo usados pelos grandes.
-Mesmo na entressafra, os preços históricos da arroba do boi gordo, em torno de US$ 21 a US$ 22, ainda não foram recuperados. Já o argumento de que as exportações estão em queda pode ser desmentido pelos números: de janeiro a setembro deste ano, as vendas externas de carne bovina alcançaram 414 mil toneladas, com um aumento de 45% em relação ao mesmo período de 1998.
-Perguntei a Nogueira, como é feita na prática, a manobra dos frigoríficos. Seguinte: os frigoríficos maiores utilizam grandes redes de supermercados, formadoras de preços, e derrubam o preço do traseiro de R$ 3,20 para R$ 2,90, por exemplo. Isto obriga os frigoríficos que trabalham no mercado interno a baixar o preço de compra, do contrário, não têm como competir. Entidades do setor fazem vistas grossas a uma prática que prejudica a maioria dos frigoríficos, não exportadores.
-Fazendo as contas: os frigoríficos adquirem a arroba do boi por US$ 19,50 e exportam o mesmo produto a US$ 38,00. Assim, os frigoríficos (exportadores) têm margem suficiente para vender a carne no mercado interno a preços mais baixos do que os concorrentes nacionais, forçando assim uma queda geral nos preços.
-Outra observação: o quilo do filé dentro da (restrita) cota Hilton é exportado a US$ 20,00. Com a exportação de três filés, os frigoríficos compram três arrobas de carne. Quem paga entre US$ 19,00 e US$ 20,00 e exporta a US$ 38,70, com margem de lucro de até 100%, pode levar prejuízo em algumas cargas para derrubar os preços.
Frango/prejuízo
A Associação dos Exportadores de Frango (Abef) quer pedir indenização à Argentina por perdas e danos por conta da decisão da Justiça daquele país de impor uma quota de 3.742 t/mês para as exportações brasileiras.
Indenização
Empresas brasileiras estão sendo impedidas de concretizar negócios acertados anteriormente à medida. A Abef está discutindo a questão e pede que a medida seja revogada, uma vez que ela se baseia em dados irreais.
Versão da Abef
A imprensa divulgou que as exportações de frango para a Argentina teriam crescido 63%. Abef nega: as exportações recuaram. E no acumulado do ano, as exportações de frango inteiro e em cortes para a Argentina tiveram queda de 22%.
Estranho
Números sobre exportação de frangos foram fornecidos ontem pelo presidente das Abef, Luiz F. Furlan. Os números de ontem da Abef são completamente diferentes dos números que vêm sendo divulgados pela grande imprensa.
Represália
A Câmara de Comércio Exterior ameaçou ontem suspender a concessão de licenças automáticas à entrada de produtos argentinos no Brasil caso a Argentina continue restringindo a importação de frango brasileiro.





