Oswaldo Petrin
Restrições argentinas
-Há duas interpretações distintas com relação às consequências das restrições argentinas ao frango brasileiro. Enquanto a Associação dos Exportadores (Abef) prevê prejuízo de US$ 10 milhões em apenas dois meses, a Avipar (que representa as indústrias de abate do Paraná) minimiza os efeitos: Os produtores argentinos de frango estão recorrendo a um instrumento de pressão para impor cotas de importação ao frango brasileiro.
-Essa foi a interpretação do presidente da Associação das Indústrias de Abate de Aves do Paraná (Avipar) Paulo Muniz, à repórter Vânia Casado, ontem, sobre a restrição da Argentina à importação de frangos brasileiros determinada pela Justiça daquele país. Muniz não revelou preocupação com a queda nos negócios, cujos efeitos são considerados mínimos.
-De fato, tudo não passa de medo da concorrência. É mais ou menos como a história das barreiras sanitárias à carne bovina, pela UE, por exemplo: As exigências, ou mesmo barreiras, se torna mais rigorosas ou menos rigorosas, dependendo da oferta. Sabemos que não é bem assim, as é quase isto.
-Muniz, porém, destacou que a pressão feita pelos argentinos não pode ser subestimada durante a audiência pública que vai analisar a denúncia de dumping contra os exportadores brasileiros de frango, que vai ocorrer amanhã em Buenos Aires. Segundo Muniz, a cota imposta por decisão federal de 3.742 toneladas mensais não é muito inferior às exportações brasileiras para aquele país, que estão entre 4.000 a 4.500 t mensais, dos quais o Paraná participa com 600 toneladas. A perda de 500 a 1.000 toneladas de exportações mensais não chega a ser preocupante, diante de uma produção nacional de 425 mil toneladas mensais, assinalou.
-Mas, o que os argentinos dizem?
-O presidente da Câmara de Empresas Produtoras Avícolas (a entidade que entrou na Justiça argentina suspeitando da prática de dumping pelos brasileiros) Roberto Domenech, disse que a acusação que fizeram sobre dumping é de 1997. A abertura de investigações ocorreu em janeiro de 1999 e daqui a poucos dias será realizada a audiência pública, onde serão ouvidas as partes envolvidas. Domench sustenta que as vendas de frango brasileiro na Argentina eram até 35% abaixo dos preços vendidos no Brasil.
-A situação do produtor argentino é grave, já que caiu a demanda interna e ainda por cima temos que competir com os frangos brasileiros, que têm dumping. Muitas empresas fecharam por causa disso, diz Domenech, que afirma que o emprego de trinta mil trabalhadores do setor estaria em risco. Segundo ele, o volume de frangos brasileiros vendidos na Argentina passou de 4 mil toneladas em julho para 6,5 mil toneladas em outubro. No ano passado, a participação de frangos brasileiros era de 6% no mercado argentino. Hoje é de 12% (AE).
Milho/leitor
José C. Aderaldo, gerente de Comercialização de Grãos da Cocamar, e outros agentes do mercado, contestam: milho da Argentina a R$ 12,20/saca (coforme divulgado ontem), é impossível!. Eles mostram dados bem diferentes.
Cocamar contesta
Na melhor das hipóteses, R$ 13,10, no Porto de Paranaguá, segundo José Cícero Aderaldo. Acrescentem-se aí as despesas - variáveis - de internação do produto até o seu destino final, a preço de frete rodoviário.
Os números
Seguinte: o milho argentino está entre US$ 90 e US$ 94/t, Fob Argentina. Uma saca de 60 kg sai da Argentina a US$ 5,50, já colocada dentro do navio. Some-se a este valor: frete marítimo a US$ 0,80, e custo de descarga US$ 0,50.
US$ 6,80
Preço final, no cais de Paranaguá: US$ 6,80. Ou, mais ou menos R$ 13,60/saca. Portanto, a informação de que o milho argentino chega a R$ 12,20 (Vaivém das Commodities) não está correta. Matéria agitou o mercado de lotes no Paraná.
Lotes
Se houvesse oferta de milho argentino a menos de R$ 13,00, catarinenses e gaúchos não estariam comprando milho no Paraná a R$ 12,20/saca/lote, como aconteceu ainda ontem junto a uma cooperativa do Noroeste. Lote de 80 t.





