Oswaldo Petrin
Pacto contra repasses
-A reação dos empresários à crítica de FHC sobre remarcações e repasse de preços, não foi em vão. O governo fez autocrítica e não levou a discussão à frente. Enquanto isso, algumas lideranças empresariais continuaram acusando e apontando dados, sobre reajuste de tarifas públicas - alguns abusivos como os derivados de petróleo - e seu efeito dominó.
-Por conta dessas acusações, o governo tomou uma decisão: o reajuste médio de tarifas de serviços públicos para o próximo ano não vai ultrapassar a meta de inflação fixada pelo governo em 6%, informou ontem o diretor de Política Monetária do Banco Central Luis Fernando Figueiredo.
-O representante do Banco Central explicou que os contratos firmados com as empresas prestadoras de serviços prevêem, na média, reajustes justamente dentro da meta traçada para a inflação. Há espaço para que os reajustes acompanhe os 6% ou mesmo fique abaixo, sem causar pressão na inflação.
-Durante seminário sobre as Mudanças nos Mercados Primário e Secundário da Dívida Pública Mobiliária, Figueiredo explicou que o mercado não deve analisar a inflação olhando para o retrovisor, ou seja para os números passados que, embora tenham surpreendido, já foram absorvidos. O importante é olhar para frente, e os sinais indicam que as pressões passadas não vão se reproduzir, na sua avaliação.
-Além do reajuste das tarifas previstos para o próximo ano, Figueiredo destaca que não há espaço para permitir o repasse do aumento dos preços no atacado para os preços ao consumidor porque a demanda continua baixa. E mesmo se a demanda subir a indústria poderá aumentar a produção porque tem capacidade ociosa.
-Os índices de preços do atacado - que têm superado as estimativas mais pessimistas -, segundo Figueiredo também devem ser melhor analisados. Em primeiro lugar porque os números traduzem o preço de tabela das indústrias e não o preço real, o que significa que a diferença entre os índices de preço ao atacado e ao consumidor é menor do que realmente se verifica.
-No casos dos carros, por exemplo, houve um aumento de 12%. As concessionárias, segundo ele, repassaram para os consumidores uns 5%. Isso mostra que muitas vezes o preço no atacado apresenta distorções e mesmo que se tente transferi-los, o consumidor está resistindo aos aumentos, informa a repórter Cleide Sánchez Rodríguez, da Agência Estado.
-Figueiredo atribuiu as altas dos índices de preços ao consumidor a fatores sazonais (a entressafra da carne), ou pontuais (aumentos dos carros) que não devem se repetir. O caso da carne até pode ser contornado. Difícil é impedir repasse dos preços de insumos, cujos componentes são importados.
Água/vitória
O Sindicato Rural de Londrina considerou uma vitória dos produtores rurais a forma como foi aprovada a lei que institui cobrança do uso de água no meio rural, com isenção total do setor agropecuário.
Isenção
A mensagem original do governador isentava apenas parte dos agricultores e pecuaristas e não deixava claro a questão do saneamento básico. Mas a Assembléia propôs a isenção para todos os produtores. Saída correta.
Municípios
Para virar lei a proposta agora só depende da senção do governador. Votaram 48 deputados. Pela mensagem fica garantida a manutenção dos serviços de saneamento básico (esgoto) e a autonomia dos municípios nessa área.
R$ 100 milhões
Técnicos do governo não sabem ainda quando a cobrança passará a valer. Primeiro terão de ser formados os comitês regionais que cuidarão das bacias hidrográficas. A estimativa inicial era que a cobrança acarretaria R$ 100 milhões.
Milho
O preço do milho deve retomar sua escala ascendente na próxima semana, quando as empresas importadoras deixarem claro que a compra do produto lá fora fica impraticável, pela pequena margem de lucro, informou ontem fonte do IEA-SP.





