Oswaldo Petrin
-O governo está passando mesmo por um período literalmente adverso, com prenúncios de esgotamento da melhor fase do Real. Vejamos: 1) A boa maré do frango, âncora na vertende consumo do Plano Real, está exaurida com iminente quebradeira dos frigoríficos; 2) A safra agrícola atual, que seria recorde, está tendo suas projeções revisadas. 3) E a safra 97/98, vital para regularidade do abastecimento - num momento político nervoso -, depende de muitos fatores, inclusive sorte. Mas o desestímulo pode comprometê-la por antecipação, através da redução de área. É que o plano para a nova safra de verão não acena com nada de especial, pelo menos por enquanto.
-E agora sai o prognóstico para o crescimento econômico do ano: modestíssimo, se comparado às projeções do governo. A notícia saiu ontem: o PIB deve crescer menos este ano que em 96 ou, no máximo, chegar a 3%, equiparando-se ao crescimento do ano passado (2,97%). A estimativa foi feita pelo economista Roberto Olinto, coordenador de Estudos e Métodos do IBGE. O PIB é a soma dos bens e serviços produzidos por um país. Mesmo se o PIB crescer 3%, a taxa ficará abaixo das previsões do governo feitas no início do ano, que giravam em torno de 4 a 4,5%.
-O IBGE baseia sua estimativa na queda de 0,56% do PIB do primeiro
trimestre em relação ao PIB do último trimestre do ano passado, com ajuste sazonal, e na falta de perspectivas de mudanças na condução da atual
política econômica. O crescimento do PIB este ano pode vir a ser de apenas 1,5%, se o atual patamar de atividade econômica não se alterar até o fim do ano.
-Na hipótese, mais provável, de o segundo semestre registrar crescimento da economia, o PIB subiria algo em torno de 2% em 97. A economia brasileira só crescerá 3% este ano, na avaliação de Olinto, caso diminua o déficit da balança comercial e hajam medidas liberalizantes em relação ao crédito, como a redução dos juros.
-Na avaliação do IBGE, o elevado grau de endividamento das famílias é um
dos fatores que explicam a desaceleração econômica no primeiro trimestre. É consenso geral que o endividamento está no limite, afirmou Roberto Olinto. Isso impediria um grande aumento no consumo, sobretudo de bens duráveis. Outro fator seria a menor taxa de crescimento da massa salarial. Na comparação com o primeiro bimestre de 96, o primeiro bimestre deste ano registrou aumento de 1% na massa salarial.
-O que se observa é que a economia está desacelerada, apesar de não ter havido medidas concretas do governo com esse fim no primeiro trimestre, disse Olinto, em entrevista ao repórter Mário Moreira, da Agência Folha. Na comparação dessazonalizada com o último trimestre de 96, só não houve queda no setor de serviços, que cresceu 0,06%. A produção industrial
encolheu 1,18%, e a agropecuária, 0,82%.Café NY





