Móveis para os EUA
A Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário (Abimóvel) lançou ontem um estudo sobre o mercado norte-americano de móveis em que mostra o potencial de demanda - estimado em US$ 90 bilhões este ano - e o perfil do consumidor americano.
A Abimóvel pretende disputar esse mercado com incentivos do Programa Brasileiro de Incremento às Exportações de Móveis (Promovel), lançado no ano passado. Na verdade o espaço brasileiro já existe, mas a meta é ampliar essas exportações, estimadas hoje em US$ 40 milhões.
Interesse é o que não falta, segundo diagnóstico da Associação. Um mapeamento das indústrias com potencialidade para exportar aponta núcleos emergentes no Triângulo Mineiro, Marília e Itatiba (SP), Goiânia, Cidades Satélites de Brasília, Arapongas (PR), algumas cidades do Nordeste, além do Rio Grande do Sul, tradicional no setor. Esses setores emergentes tanto quanto o Rio Grande do Sul, tradicional no ramo, oferecem produtos de qualidade e altamente competitivos, garante a Abimóvel.

Para aguçar ainda mais a indústria brasileira, o estudo apresentado ontem aponta que a produção norte-americana representa 50% do mercado consumidor dos Estados Unidos. Canadá e México também está de olho no mercado.
Detalhe: de acordo com o levantamento, a exploração desse mercado deve ser feita também baseada na tendência da indústria norte-americana em adquirir de outros centros todo e qualquer tipo de produção que exija mão-de-obra intensiva, em vez de produzir localmente.
‘‘O Brasil tem matéria-prima, área de reflorestamento e mão-de-obra em abundância’’, disse o presidente da Abimóvel, Nestor Bergamo (entrevista a Cláudia Dianni e Gecy Belmonte, da AE), justificando a estratégia que a entidade pretende desenvolver para aumentar as exportações do setor para US$ 2,5 bilhões nos próximos três anos. O estudo também concluiu que o Brasil é o único país capaz de fazer frente à concorrência chinesa, do Canadá e do México, embora estes dois últimos sejam mais difíceis em função da proximidade geográfica.
O público consumidor de móveis do principal mercado importador do mundo, os Estados Unidos, tem preferência por linhas clássicas, principalmente o consumidor de alto e médio poder aquisitivo, paga à vista, não tem o hábito de esperar muito tempo pela entrega e é formado principalmente por mulheres, responsáveis por 80% das decisões de compra. Esses dados estão no documento lançado ontem.
Também foi lançado o catálogo lista um total de 4.683 empresas exportadoras que equivalem a um terço do total de companhias que vendem para o exterior. As empresas cadastradas correspondem a 91% das exportações brasileiras.



Frango/Argentina
Os argentinos decidiram mesmo investir contra o frango brasileiro, exatamente o setor mais competitivo e competente que, segundo agentes do setor, não deixa dúvidas quando à obediência das formalidades do tratado do Mercado Comum.
Impasse
A Comissão Nacional de Comércio Exterior, em reunião marcada para o próximo dia 25, vai avaliar a posição argentina. Comissão ouvirá a setor brasileiro e, em 15 dias dará parecer, coincidindo com a posse do novo governo argentino.
Dumping
Observadores estão prevendo medidas antidumping, já que a Sub-Secretaria de Comércio Exterior tem um relatório que indica dumping nos frangos brasileiros. A Abef (exportadores) acha que não terá dificuldade em provar o contrário.
Barreira
Na semana passada, a Câmara Argentina de Empresas Processadoras Avícolas (CEPA) endureceu sua posição, e pediu o fechamento da fronteira com o Brasil. Motivo é muito vago ‘‘invasão de frangos brasileiros’’.
Difícil negociar
O presidente da CEPA, Roberto Domenech, declarou ao repórter Ariel Palacios
da AE que ‘‘por enquanto, as negociações com os empresários brasileiros não podem continuar. Não há garantia que possa ser cumprido qualquer acordo que façamos’’.

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