Fome e vontade de vender
-No país do subconsumo e da subalimentação, criança faz refeição quando está na escola (que tenha merenda) e os pais, quando empregados em grandes empresas, comem decentemente no trabalho.
-Eis a premissa básica para alavancar a indústria de refeições coletivas. Para se ter idéia da dimensão do espaço para crescer basta comparar: o mercado potencial está estimado 23 milhões de refeições por dia. E o ano fecha com uma média de 3,7 milhões de refeições/dia. O setor festeja um crescimento sobre o ano passado de 6%.
-O segmento de refeições coletivas, um dos mais importantes da cadeia de alimentação fora do lar no Brasil, fornece exatamente esta quantidade, consumida principalmente em empresas das áreas industrial, comercial e de serviços, hospitais, repartições públicas, quartéis, presídios e em escolas, através da merenda escolar. Esses dados, em valores absolutos, são disparadamente maiores do que os de 1998, de um bilhão de refeições durante todo o ano.
-De um lado a fome, do outro lado a vontade de vender. As atividades das prestadoras desse serviço e a qualidade da alimentação ganham cada vez mais importância no Brasil, pois a refeição servida nos restaurantes das empresas acaba sendo, em muitos casos, a única alimentação do dia de trabalhadores de baixa renda.
-A Associação Brasileira das Empresas de Refeições Coletivas (Aberc) garante que há uma preocupação ‘‘no sentido da qualidade’’.
-Além disso, toda organização preocupada com o bem-estar e qualidade de vida de seus colaboradores sabe que funcionário bem alimentado produz mais e com melhor qualidade. Nos últimos anos, tem sido grande o número das empresas em busca da melhoria no mercado de refeições coletivas. As prestadoras de serviços vêm aprimorando suas atividades, oferecendo alimentação balanceada, divesificada, elaborada dentro dos padrões de qualidade.
-Diariamente surgem pelo menos seis novas empresas neste setor. Há espaço para algumas centenas. O ambiente para investimento, onde o mercado exibe mais espaços, são as cidades de porte médio, acima de 100 mil habitantes. Não que as capitais estejam saturadas, pelo contrário, os dados mostram o potencial de crescimento.
-Sobre o potencial de crescimento. Há espaço em todos os setores, mas uma prospecção mais apurada aponta para: empregados de empresas, 23 milhões/dia; escolhas, hospitais e Forças Armadas, mais 1,7 milhão. Em tempo de estabilidade econômica, abastecimento normal e preços regulares, a margem não fica por menos de 23,5%. Sem falar na gratificante função social, é claro.



Faturamento
As empresas de refeições coletivas faturam este ano R$ 3,2 bilhões. Empregam 135 mil pessoas (empregos diretos). E apenas 10% das empresas, filiadas a Aberc, são responsáveis por 90% do mercado. É um setor bem concentrado.
Qualidade
A Aberc desenvolve um programa que abrange toda a cadeia de produção, manipulação de alimentos, fornecedores de matérias-primas, embalagem, etc. O programa culmina com o selo de qualidade para fomentar o autodesenvolvimento.
Conceito
O nosso lema é ‘‘Alimento é saúde’’, afirmam o presidente da Aberc, Rogério da Costa Vieira, e o superintendente Antônio Guimarães. Um setor tão amplo, formado de empresas de ramos diferentes, precisa criar um conceito, um padrão.
Selo
Setor alimentício é onde as deficiências se salientam e impactam mais fortemente. O selo não foca apenas a normatização de determinados processos de produção ou de serviços, mas a refeição como um todo, seu desempenho global.
Saúde x doença
O mercado, ao mesmo tempo em que está receptivo as mais e mais empresas, é implacável na exigência quanto à higiene, regularidade, balanceamento e outras variáveis inerentes à alimentação e saúde. Em comida, o que não é saúde é doença.

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