Economia ainda cresce
-Queda no PIB no terceiro trimestre - julho, agosto e setembro -, como divulgou ontem o IBGE (assunto deve ser destaque nos jornais de hoje), não significa absolutamente nada, para uma economia de altos e baixos, que mostra a renda per capita em frangalhos ao mesmo tempo em que apresenta crescimentos localizados de 30%.
-Pior seria uma queda no último trimestre, que inclui o aumento da produção industrial, principalmente do setor alimentício voltada para o crescimento tradicional do consumo em dezembro. Mas, como antecipou dias atrás a esta coluna o presidente da Associação Brasileira de Alimentos, a produção e o consumo de outubro, novembro e dezembro vão contrapor um período de vacas magras. Nem tão magras.
-Com exceção da indústria têxtil, vários setores de peso da economia, pendem para o crescimento na média do ano. Vale lembrar que qualquer que seja o crescimento do PIB acima de zero, derruba todos os prognósticos feitos no início do ano. Basta ver as notícias da época, principalmente na eclosão das crises das bolsas.
-A julgar pelo acumulado do ano, essa previsão de crescimento mínimo deve se confirmar. É que o acumulado do ano cresceu 0,02% até setembro em relação ao mesmo período do ano passado. A taxa positiva anual foi puxada pelo bom desempenho da agropecuária, que cresceu 6,1%. O setor de serviços também teve desempenho positivo, de 0,8%, mas a indústria caiu, até setembro, 3,03% em relação ao mesmo período de 09.
-Aqui vale fazer um reparo. O crescimento de 6,1% na agropecuária vai exigir muito exercício para mostrar os setores que cresceram - e cresceram muito - para dar uma média positiva dessas, já que o setor se descapitalizou.
-Agora atenção: tudo isso - ou seja um crescimento mínimo do PIB quando se previa unanimemente, inclusive no governo, que o crescimento seria negativo - cai por terra diante de uma ameaça sobre a qual falamos ainda ontem: a inflação da escassez. O primeiro trimestre do ano 2000 será de recessão e preços altos. Aumento de custo, mesmo sem demanda.
-Já está ocorrendo a recuperação de preços de alguns produtos agrícolas, atribuída ao aquecimento da economia internacional e ao temor de que haja uma quebra na safra brasileira. Preços mais altos de algumas commodities podem representar uma melhora na receita obtida com exportação, ainda que a safra seja frustrante. Mas podem também pressionar significativamente a inflação no próximo ano.
-Analistas já atribuem parcialmente a elevação dos índices de inflação esta semana à expectativa de oferta menor de produtos no próximo ano. E há até quem acredite que, dependendo do desempenho da produção agrícola no fim do ano e no início próximo, o efeito positivo sobre a balança pode não ser tão relevante.



Leitor/Agrinho
Sábado, dia do leitor se manifestar (carta, telefone, fax e-mail): Ana e Benvenido Arteiro, Paranavaí: ‘‘Como pais e agricultores agradecemos e parabenizamos o Senar pelo programa Agrinho e orientação às crianças’’.
Leitor/farinha
Adilson J. Silvestre, Tapejara: ‘‘A Folha está publicando errado o preço da farinha. O preço certo é este: farinha branca, R$ 25,00 à vista e R$ 26,00 para pagamento em 30 dias. Torrada: R$ 28,00 à vista e R$ 29,00 em 30 dias. (Saca de 50 kg).
Leitor/farinha 2
Benedito A. Camargo, São Paulo: Confirmando preço acima. Em caso de dúvida 11 228-5488. Os Silvestre são pioneiro na produção da cultura da mandioca no Noroeste do Paraná. Estão no ramo desde 1950. Têm farinheira em Tapejara.
Leitor/boi
Norton J. Bissoli, Colorado: ‘‘Já que os frigoríficos precisam da oferta de boi, que está curta, por que tanta diferença entre o preço de São Paulo e o Paraná, sendo que estamos a menos de 200 km de Presidente Wenceslau (SP)?
Leitor/crédito
Hermes C.A. Martins, de Santa Mariana: ‘‘Cada vez que o ministro da agricultura ou o presidente Fernando Henrique aparecem na televisão falando que há crédito para plantar, parece um castigo, a gente vai ao banco e é só conversa’’.

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