Oswaldo Petrin
Cutucando o monstro
-Várias vezes no ano, diante da variação dos índices de preços da cesta básica aferidos pela FGV, IBGE e outras fontes, esta coluna mostrou a determinante contribuição do item alimentação para manter estável o custo de vida. Foi assim nos anos do plano real em que os produtos de origem vegetal e animal puxaram a inflação para baixo. E foram várias as oportunidades em que esses itens provocaram deflação.
-Mas, pela primeira vez, no último levantamento, referente a outubro, isto não aconteceu. Pelo contrário, os preços de alguns itens do universo de alimentos, transparecem nos índices, puxando a inflação para cima.
-Um dado novo. Carne, feijão alguns hortifruti subiram muito. Não adianta dar o percentual de variação: eles só vão mascarar os outro dados. O feijão, por exemplo, chegou a apresentar 115% num determinado momento. Mas, diluído no universo de produtos que compõem tanto a planilha como a cesta básica, seu peso específico não impacta tanto quanto parece.
-Bem feito para o governo que só soube fazer uso desse setor. Mesmo assim, o item alimentos, onde se encaixam os produtos primários, não se compara, nem de longe com vilões como transporte, movido a combustíveis e outros itens influenciados pelas tarifas do governo: energia, por exemplo.
-A inflação tem superado as expectativas por causa de uma conjunção de fatores, entre eles a recuperação dos preços internacionais das commodities e uma entressafra agrícola rigorosa, define o secretário-adjunto de Política Econômica, Fernando Montero.
-A versão do órgão oficial sempre dissimula a realidade. O fato é que a origem do problema está mesmo no abastecimento o na produção. Convenhamos, porém, que a recuperação dos preços das commodities tem efeito sobre a inflação não só por causa dos importados, como petróleo e trigo, mas também pelos que se exporta.
- Subsídio anidro O governo vai adiar para o início do
próximo ano o fim do subsídio ao álcool anidro, que compõe 24% da gasolina. Mesmo com o anúncio feito em outubro, pelo Conselho Interministerial do Açúcar e do Álcool (Cima), de que esta subvenção seria extinta este mês, o ministro de Minas e Energia, Rodolpho Tourinho, admitiu hoje que o assunto ainda está sendo analisado pelo governo. Precisamos decidir se e quando vai ocorrer o fim do subsídio ao anidro, disse o ministro.
-Segundo um técnico do governo, a decisão de adiamento para janeiro deve-se aos aumentos nos preços da gasolina, que vem ocorrendo desde que foi extinto o subsídio ao álcool hidratado (combustível). O temor é que o fim do subsídio ao anidro leve a aumentos ainda maiores. Lamentavelmente o fim do subsídio ao hidratado contaminou a gasolina, o que é injustificável, afirmou Tourinho (AE).
Oportunidade
O Worldwide Farmers Exchange In, que atua na assistência rural na Califórnia (Berkeley) oferece bolsas (de 6 a 18 meses) a brasileiros formados em veterinária, agronomia ou zootecnia, que falem o inglês. Vale também para estudantes.
The WFE
A bolsa inclui alojamento, refeições, seguro e ajuda mensal de US$ 550,00. O projeto é 100% educacional, do sistema aprender-fazendo. Ao final do estágio o participante recebe o Certificado de Proficiência Agrícola.
Estágio
Conteúdo do estágio: agricultura, agronegócio, fruticultura, horticultura, florestal e pecuária. Esses programas coordenados por universidades americanas existem desde 1949. (e-mail:[email protected]) ou IICA: tel 0xx34)269-6126.
Trigo reage
Após o fraco desempenho de outubro, o preço do trigo reagiu esta semana no
mercado interno. No mercado de lote, a tonelada foi negociada a R$ 240 no norte do Paraná, com alta de 15,4%. No Oeste, R$ 220/,00.
Milho
Leilão de milho não muda tendência de alta. Produtores de soja não estão gostando do atraso no plantio. Eles pretendiam plantar cedo, colher rápido para plantar milho safrinha, cujos preços serão excelentes, prevê a Ocepar.





