-Primeiro uma notícia boa: o Diário Oficial da União publicou ontem resolução do Banco Central que institui linha de crédito de recursos do Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé), para o financiamento de despesas das próximas colheitas de café. A nova linha de crédito foi aprovada ‘‘ad referendum’’ do Conselho Monetário Nacional. O total de recursos disponíveis será de R$ 250 milhões. O limite de crédito será de R$ 600 por hectare de cafezal, limitado ao máximo de R$ 150 mil, por produtor. A liberação do crédito será em duas parcelas (60% e 40%), dependendo da maturação do café. O reembolso do financiamento também será feito em duas parcelas, sendo a primeira em 60 dias, contados da data prevista para o término da colheita e a segunda após 30 dias do primeiro vencimento. As parcelas serão corrigidas pela TJLP mais 3% ao ano.
-Agora uma notícia pessimista. Na briga pela redução das taxas de juro para a próxima safra, o ministro Arlindo Porto está entregando os pontos muito cedo. Ontem, durante reunião na Confederação Nacional da Agriocultura, ministro lembrou que é difícil convencer os bancos a emprestarem dinheiro com uma taxa de juros nesses níveis, referindo-se à proposta da CNA, de 6% para médios e grandes produtores e 3% para pequenos e miniprodutores (nos empréstimos do crédito rural da safra 1997/98). A proposta em estudo pelo governo prevê uma redução dos juros para o crédito rural de 12% ao ano para algo entre 9% e 10% ao ano.
-Outra posição pessimista: Porto explicou que ‘‘caberá aos bancos’’ optar ou não pelos empréstimos das exigibilidades bancárias, ou seja, a parcela de 25% dos depósitos à vista que devem ser aplicados no crédito rural. Ora, até semanas atrás, o discurso era de que a lei da exigibilidade bancária tem que ser cumprida, ainda mais agora que a coabrança da CPMF deve engordar mais os recursos dos depósitos (compulsórios) à vista, aquela dinheirada gigantesca cujo fluxo os bancos têm que prestar contas ao Banco Central.
-A proposta final da CNA, aprovada pelos representantes de diversas federações estaduais de agricultura, não sugeriu aumentos de preços mínimos ao governo, porque não houve consenso entre os produtores. Arlindo Porto lembrou que a questão é mesmo complicada, até dentro do governo, pois os produtores que renegociaram suas dívidas na securitização, com base na equivalência-produto, seriam prejudicados com a elevação dos preços mínimos.
-Os produtores rurais pediram ao ministro da Agricultura que tente resolver o problema daqules produtores que não estão tendo acesso ao crédito rural, apesar de terem renegociado suas dívidas com os bancos. Os bancos dizem que as garantias foram dadas na securitização e não estão emprestando mais. Casos como estes estão ocorrendo em todos os Estados do Sul, além de São Paulo e Mato Grosso do Sul, principalmente. Se a exigência for mantida, vai sobrar dinheiro no banco por falta de agricultor ‘‘apto’’ a tomar o empréstimo. Café/França

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