Oswaldo Petrin
Fim da farra do álcool
-Vamos resumir as medidas adotadas ontem pelo governo - através do Comitê Executivo do Conselho Interministerial do Açúcar e do Álcool - para reduzir o preço do álcool combustível (hidratado) ou evitar novas altas. Ao todo são cinco providências, porém concretamente são adotadas três: 1) Suspende o financiamento às distilarias e usinas, isto é não realiza novas operações de warrantage, que é a estocagem pelas indústrias e financiada pelo governo, 2) Começa a liberar estoques oficiais de álcool: até o final do ano seriam 340 milhões de litros, 3) Começa a azeitar a estrutura que permite a importação de combustíveis alternativos, metanol.
-Pior que liberar estoque é a não renovação dos financiamentos (warrant) que injetaria, de forma indireta, dinheiro nas indústrias e, portanto nas regiões a que pertencem. O governo pagaria até dezembro R$ 40 milhões aos produtores para que fossem estocados 260 milhões de litros de álcool. Agora as usinas serão obrigadas a colocar o produto a venda.
-Era necessário evitar abusos e pôr ordem na casa, em matéria de combustíveis. Ninguém tem dúvida. Mas o governo atirou no alvo com cartucheira de chumbo esparramado. Ainda assim, falta uma ação complementar mais enérgica em cima das distribuidoras e do varejo, os postos, que formam cartel à moda caipira mas formam.
-Duas medidas imediatas tomadas ontem devem aumentar nos próximos dias a quantidade de álcool para as distribuidoras. Desde o dia 1º de novembro, quando acabou o subsídio ao álcool hidratado, o preço do produto na bomba teve aumentos de até 50%, quando o governo esperava no máximo um reajuste de 10%. O preço da gasolina, que tem a adição de 24% de álcool (anidro), também foi reajustado, sendo que o subsídio não foi alterado.
-Um grupo de trabalho formado ontem deverá estabelecer os critérios para realização de leilões de venda do estoque regulador do governo, estimado em 2 bilhões de litros. A comissão vai sugerir como serão os leilões, qual a quantidade a ser vendida e quando devem ocorrer, afirmou (à AE) o secretário de Produção e Comercialização do Ministério da Agricultura, Paulo Samico. São medidas para reestabelecer o equilíbrio e a tranquilidade do mercado.
- ICMS farinha O governador do Rio Grande do Sul, Olívio Dutra, encaminhou ontem ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma ação pedindo a suspensão do decreto do governo do Paraná que reduziu de 12% para 7% a base de cálculo do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) incidente nas operações interestaduais de farinha de trigo para os Estados do Sul e Sudeste. O procurador-geral do Estado, Paulo Torelly, argumenta que a redução prejudica os produtores gaúchos que exportam para outros Estados metade da produção.
Milho/alta
Contratos futuros do milho tiveram alta de 4 pontos no contrato de novembro no pregão de ontem da BM&F. Janeiro fechou com alta de 9 pontos. Março recuou 2,5 pontos e maio 9 pontos. Veja também preços ao produtor no Paraná.
Receita/café
As exportações brasileiras de café verde e solúvel totalizaram um milhão 788 mil e 621 sacos (de 60 quilos) no mês de outubro, segundo dados divulgados ontem pelo Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).
Volume
O valor das exportações de café em grão se elevaram para 163 milhões e 500 mil dólares. Em 98, as vendas externas de café totalizaram 16 milhões e 500 mil sacos, num valor de dois bilhões, 336 milhões e 700 mil dólares.
Preço médio
Entre janeiro e outubro, as exportações brasileiras de café verde totalizaram 17,3 milhões de sacos e converteram 1 bilhão, 833 milhões e 90 mil dólares. Preço médio nos 10 meses do ano: US$ 105,54. Dobro do preço pago ao produtor.
inflação agrícola
A inflação em outubro foi de 1,89% pelo IGP-DI da FGV. O repasse dos aumentos no atacado, foi influenciado pelo dólar caro e pela entressafra agrícola. O Índice de Preços ao Atacado (IPA) de outubro foi de 2,58%.





