Oswaldo Petrin
O dinheiro misterioso
-O que parecia ser um dinheiro relativamente fácil está apresentando irritante demora para as cooperativas. A liberação dos recursos previstos no Programa de Revitalização de Cooperativas de Produção Agropecuária (Recoop) ainda depende dos bancos formalizarem os contratos junto ao Tesouro Nacional, Segundo um assessor de assuntos agrícolas do Ministério da Fazenda, Gerardo Fontelles. A notícia foi recebida como uma ducha pelas cooperativas.
-O Recoop prevê uma série de condições para efetuar as operações. No caso do refinanciamento das dívidas com o sistema financeiro relativas às quotas-parte e securitização foi determinado um prazo de 15 anos e encargos de IGP-DI mais 4% ao ano e ampliação, para 10 anos, dos prazos das operações securitizadas e encargos referentes à variação dos preços mínimos mais 3% ao ano, respectivamente.
-As cooperativas se esmeraram na montagem de cronogramas de saneamento e recuperação. Inicialmente, 651 cooperativas de um total no País de 1.453 enviaram cartas-consulta ao comitê do Recoop. Dessas, apenas 322 foram enquadradas. O programa prevê recursos de R$ 2,1 bilhões para o pagamento de dívidas, capital de giro, investimentos e custeio, além de R$ 900 milhões para quotas-parte e securitização.
-As condições não mudam: para o refinanciamento de dívidas com cooperados e oriundas da aquisição de insumos agropecuários e tributos e encargos sociais, prazo de até 15 anos e IGP-DI mais 4% ao ano. O financiamento de recebíveis de cooperados terá prazo de 15 anos e IGP-DI mais 4% ao ano. O financiamento de investimentos terá prazo de 15 anos e IGP-DI mais 4% ao ano, e o de capital de giro, prazo de até 2 anos e juros de 8,75% ao ano.
Queijo O presidente do Sindicato das Indústrias de Laticínios e Produtos Derivados do Estado de São Paulo, Carlos Humberto de Carvalho, que deu entrevista a este jornal na sexta-feira (publicamos nesta segunda) comentando a crise da indústria de derivados de leite, deu uma boa notícia no final da tarde de ontem.
-É que a indústria de queijo aprovou ontem uma posição levada à Secretaria da Agricultura do Estado de São Paulo batendo o pé pela redução do ICMS de 18% para 7%. Se o governo ceder, a produção, projetada em 500 mil toneladas/ano, poderá ter um acréscimo de pelo menos 20% no primeiro ano e as vendas tendem a aumentar 15%. Interessa à indústria dos demais Estados.
-Os números mostram que o Estado de São Paulo é o maior importador de queijo do País. Cerca de 95% do produto consumido vem de outros Estados, inclusive o Paraná (maior parte é de Minas). Com a redução do ICMS os preços cairiam estimulando as vendas. Segundo fonte das Associação, São Paulo e Paraná podem abrir mão de 50% de toda tributação existe na cadeia leite.
Milho/lotes
Contratos futuros do milho fecharam estáveis para novembro no pregão de ontem da BM&F. Janeiro teve alta de 15 pontos. Março fechou com queda de 7 pontos. No indicador de preços, nova alta. Veja também preço ao produtor do PR.
Soja BM&F
Os contratos de novembro e fevereiro da soja não registraram negócios no pregão de ontem da BM&F. O ajuste de novembro e o de fevereiro ficaram estáveis. Março teve queda de 14 pontos e maio ficou estável.
Fuga/dólares
A intenção do governo de facilitar a troca de reais por dólares a partir do ano que vem foi aplaudida, aprovada com restrições e execrada - tudo ao mesmo tempo - por economistas ouvidos pela Agência Folha.
Fuga/FGV
Brasil deveria fazer o contrário, disse Paulo Nogueira Batista, da FGV. Para ele, já houve abertura excessiva para a saída de divisas no governo Collor (1990-92), fragilizando o país para fugas de capitais e ataques especulativos.
Caramuru/óleo
Queda do nível de água na Hidrovia Tietê-Paraná fez a fábrica de óleos Caramuru, em São Simão (GO), paralisar o esmagamento de soja. A hidrovia é a principal rota de escoamento. Por conta da estiagem, não são embarcados novos lotes desde o dia 28 de outubro (AE).





