-O ministro Porto não chegou a prometer, mas seus assessores mais próximos arriscaram uma sugestão para os juros agrícolas na próxima safra. As taxas seriam menores do que as praticadas na safra anterior (12%). Ontem, porém, o secretário de Política Agrícola, Guilherme Dias, disse que o governo trabalha com números entre 9% e 10%. Não deu tempo nem de os agricultores comemorarem a ‘‘vontade’’ do ministro. Mesmo os 9% são uma taxa muito alta.
-Os produtores esperavam juros de 6%. Nessa questão dos juros, quem paga quer ser razoável e quem fixa o percentual está sendo imponderável. A agricultura está habituada com imponderáveis, o clima, por exemplo, é um deles. Ultimamente, porém, a adversidade monetária tem sido pior, compara com indicadores como inflação e principalmente preços agrícolas, estáveis desde a implantação do Plano. Embora altos, juros de 10% estão abaixo dos cobrados ano passado.
-Outra notícia nada animadora do secretário de política agrícola diz respeito aos valores disponíveis. Mantém-se inalterado, ao retor de R$ 7 bilhões (ver matéria acima). Aqui, nova colisão com a expectativa do próprio ministro. Segundo Porto, com o novo imposto a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), a exigibilidade bancária será maior. Portanto, os bancos teriam de destinar mais recursos para a produção.
-Só com os recursos das exigibilidades bancárias o crédito rural teria R$ 5,5 bilhões na próxima safra (25% dos R$ 22 bilhões de depósitos à vista), além dos recursos externos da 2.148, que na safra passada somaram R$ 4,8 bilhões. Como o custo dos empréstimos das exigibilidades é baixo, o governo poderia reduzir as taxas para 6%. Nos empréstimos com recursos das exigibilidades, tem-se apenas o custo de administração dos bancos.
-Lideranças estão se organizando na Confederação Nacional da Agricultura: vão pedir ao governo um mecanismo de fiscalização da aplicação dos recursos das exigibilidades para que eles sejam totalmente direcionados ao custeio da safra. Os juros dos recursos externos são mais altos, de variação cambial mais 15% a 18% ao ano. A outra parte dos recursos para a safra, que deve vir da poupança rural, teria de ser equalizada pelo governo, para cobrir a diferença entre o custo de captação do Banco do Brasil e o custo do empréstimo com juros subsidiados.
-Além de taxas de juros menores, os produtores vão defender aumentos dos preços mínimos e uma política diferenciada para o algodão. ‘‘Não dá para o Brasil continuar sendo o segundo importador de algodão do mundo, gastando quase US$ 1 bilhão por ano’’, afirmou Antonio Donizetti Beraldo, economista
da CNA, em entrevista, ontem, à repórter Mariângela Herédia, da Agência Estado. Hoje, as comissões de crédito e de cereais e oleaginosas da CNA vão se reunir no Ministério da Agricultura para apresentar uma proposta para o Plano de Safra 1997/98. Ainda há tempo.Soja BM&F

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