Oswaldo Petrin
Lucro concentrado
-Lucro industrial 1: Dias atrás, o presidente do Sindicato Rural de Londrina, Edison Mazei Ponti, alertou que a alta do milho não beneficia os produtores, que venderam a mercadoria dois meses atrás.
-Lucro industrial 2: É histórica e a reclamação dos pecuaristas sobre a margem de lucro dos frigoríficos, atacado e varejo.
-Lucro industrial 3: Hortigranjeiros encarecem 150% entre as duas pontas.
-Lucro industrial 4: Em alguns lácteos, apesar da crise momentânea, o processo intermediário fica com até 80%.
-E, agora, o álcool: Apesar dos preços do álcool terem registrado um aumento de até 50% nos postos de combustíveis no último mês - com direito a cartel e tudo -, os produtores não estão se beneficiando desta elevação de preços, segundo Luiz Carlos Corrêa Carvalho, da União da Agroindústria Canavieira de São Paulo e do Sindicato da Indústria de Fabricação do Álcool. Segundo ele, os preços pagos ao produtor caíram de forma expressiva a partir do final do ano passado, atingindo seu menor nível em abril/maio de 1999, pressionado pelo aumento expressivo dos estoques do produto, que chegaram a 2,8 bilhões de litros no final da safra 1998/99. Agora os preços pagos ao produtor estão se recompondo gradualmente, ficando no final de outubro a R$ 0,29594 por litro ante R$ 0,16532 no final de maio.
-A expectativa dos produtores é de que o preço pago ao produtor atinja o nível ideal de R$ 0,4134 por litro, que é um nível próximo ao registrado em maio de 1997, antes da desregulamentação do setor. O litro a R$ 0,4134 possibilitaria ao produtor voltar a investir no setor e criar empregos, disse.
-A forte queda nos preços do litro do álcool na bomba que chegaram a cobrar entre R$ 0,422 e R$ 0,566 nos últimos meses, deveu-se à uma prática de dumping por parte dos distribuidores em uma tentativa de conquistar mercado após a desregulamentação do setor, segundo o superintendente da Unica. Segundo ele, muitas distribuidoras conseguiram cobrar menos porque deixavam de recolher impostos ou porque reduziram suas margens. Agora, a partir de setembro, quando o governo mudou a forma de recolher o ICMS, a sonegação ficou mais difícil e os postos estão tendo que cobrar o preço real do álcool, que até o momento não estava sendo cobrado.
-Em setembro, o preço real do álcool - contendo o preço pago ao produtor, mais margem de revenda, distribuidora e impostos - era de R$ 0,6559 por litro, mas chegou a ser vendido a R$ 0,458. Em outubro, o preço real era de R$ 0,7381, mas os postos chegaram a cobrar R$ 0,566. Por outro lado, os estoques de álcool já não estão tão elevados, o que tem auxiliado também a recuperação dos preços do combustível (AE). Como em outras cadeias produtivas, aqui também só as duas pontas, produção e consumo, não levam nada.
Erro/leitor
Paulo T. Mitsui, Maringá: Na seção de mercado de suínos, vocês usaram os termos suíno abatido e resfriado, quando o correto é suíno em pé ou vivo. Resposta: O leitor de Maringá está certo. Agradecemos a colaboração.
Juízes/leitor
André L. N. Zangari, Cascavel: Os juízes fazem greve por R$ 12,7 mil por mês? Pois isto é o que conseguimos em uma safra de soja, plantando pelo menos 30 ha. Uma safra de soja demora seis meses, do preparo à colheita.
Juízes/soja
Para isto temos que investir alto (semente, adubo, veneno, diesel), ter sorte de colher bem, acima de 40 sacas/ha, e vender acima dos R$ 19,50 atuais. E contar com São Pedro porque se o clima não correr bem, as contas são outras.
Juízes/soja 2
Para ganhar R$ 12 mil/mês com a soja um dos produtos mais rentáveis temos de plantar 360 ha e dispor de uma estrutura caríssima que inclui três colheitadeiras (mais de R$ 350 mil cada). E levantar cedo, bem cedo.
Juízes/milho
Benedito C. Moreira, Londrina: R$ 12 mil/mês é igual a R$ 156 mil/ano. Para reunir um volume desses, um produtor de milho tem que plantar uns 240 ha. Haja milho! E haja imposto! Minha esposa é professora e recebe R$ 5 mil por ano.





